Sob Lula, diesel da Rússia vira negócio bilionário e coloca o Brasil na mira de Trump
- Renalice Silva

- 7 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Na mira de sanções internacionais lideradas por Donald Trump, o diesel importado da Rússia se transformou em um ativo estratégico e bilionário para o Brasil — e em um risco geopolítico crescente.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o diesel russo já responde por cerca de 60% de todo o volume importado pelo Brasil desde 2022, início da invasão russa à Ucrânia. Antes disso, a presença russa nesse mercado era quase nula.
A guinada foi impulsionada por interesses econômicos, diplomáticos e comerciais, com respaldo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que adotou uma postura pragmática diante das sanções ocidentais ao regime de Vladimir Putin.

Negócio bilionário
De 2022 até hoje, empresas brasileiras desembolsaram cerca de US$ 13 bilhões (mais de R$ 70 bilhões) na importação de diesel russo. O mercado é dominado por grandes distribuidoras de combustíveis, algumas com capital estrangeiro e ações em bolsas internacionais.
Essas empresas viram no produto russo uma alternativa mais barata e rentável, em meio à volatilidade global causada pela guerra e pela reestruturação da cadeia energética na Europa.
“O diesel russo passou de exceção a regra. Hoje é parte central do abastecimento nacional”, diz um executivo do setor, sob condição de anonimato.
Alvo de sanções?
O risco, agora, vem da política externa americana. Nesta quarta-feira (6/8), o governo Trump anunciou tarifa extra de 25% sobre produtos indianos como retaliação à compra de combustíveis russos. Em discurso duro, o presidente americano sinalizou que outros países poderão ser alvos de medidas similares, incluindo o Brasil.
“Países que financiam o esforço de guerra de Putin por meio do comércio de combustíveis precisam saber: haverá consequências”, disse Trump, em evento em Ohio.
A ameaça de sanções coloca pressão sobre o Itamaraty, que até aqui tem evitado assumir posição clara sobre a guerra. Internamente, há preocupação crescente no governo brasileiro com a possibilidade de restrições a produtos exportados para os EUA, como aço, celulose e alimentos
Lula mantém posição de neutralidade
Apesar das críticas internacionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reiterado que o Brasil não tomará parte em sanções unilaterais e defende a manutenção das relações comerciais com Moscou.
O Palácio do Planalto alega que a decisão é baseada na defesa da “soberania energética” e da “neutralidade diplomática” do Brasil frente a conflitos externos.
O que pode acontecer agora
A possível escalada das tensões comerciais com os EUA deve forçar o governo brasileiro a avaliar suas opções:
Reduzir a dependência do diesel russo, diversificando fornecedores;
Negociar garantias com Washington, para evitar sanções diretas;
Atuar em blocos multilaterais, como o G20 ou BRICS, buscando proteção política.
Empresários do setor energético já iniciaram uma movimentação de bastidores para pressionar o governo a adotar uma posição clara antes que medidas punitivas dos EUA avancem.














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