SOB INVESTIGAÇÃO: TCE-PE suspende concurso após aprovação da “candidata gênio”
- Renalice Silva

- 7 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Laís Giselly Nunes de Araújo, investigada pela PF por fraudes em concursos públicos. Alvo da PF, “candidata gênio” é aprovada em novo concurso para o cargo de analista de controle externo de R$ 27 mil
O Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) anunciou, nesta terça-feira (7), a suspensão dos atos do concurso público após a divulgação da aprovação de Laís Giselly Nunes de Araújo, de 31 anos, investigada pela Polícia Federal (PF) por suposta participação em fraudes em concursos públicos.

Em nota oficial, o órgão informou que “até que todos os fatos estejam devidamente esclarecidos, ficam suspensos todos os atos pertinentes ao concurso”.
Segundo o comunicado, “diante dos fatos revelados por inquérito da PF e veiculados na imprensa sobre fraudes em concursos públicos em nível nacional e estadual, o TCE-PE e a Fundação Getulio Vargas (FGV) informam que já estão tomando todas as providências cabíveis junto às autoridades policiais e judiciárias para proteger a integridade do certame”.
A lista de aprovados para o cargo de analista de controle externo foi publicada na manhã desta terça-feira (7) pela FGV. O nome de Laís aparece entre os classificados.
O tribunal reforçou que, como órgão de controle externo, “tem o dever constitucional de zelar pela regularidade das admissões de pessoal na administração pública” e que será “intransigente na defesa da lei, da meritocracia e do interesse público”.
Investigações da PF
Laís Giselly é investigada desde 2022 por suspeita de envolvimento em um esquema que teria fraudado pelo menos 14 concursos públicos. As apurações apontam possíveis irregularidades também no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024, no qual ela foi aprovada para o cargo de auditora fiscal do trabalho.
De acordo com a PF, o gabarito da candidata no CNU era idêntico ao de Wanderlan Limeira de Sousa, ex-policial militar apontado como líder da organização criminosa responsável por vender aprovações em certames federais e estaduais. Os investigadores classificaram as aprovações da candidata como “estatisticamente improváveis” e afirmam que há indícios de participação nas fraudes.
Durante a análise de materiais apreendidos, a PF identificou documentos e trocas de mensagens que ligariam Laís a outros integrantes do grupo. A mãe dela, Erika de Matos Nunes, também é investigada. Segundo o inquérito, Erika trabalhava como enfermeira na Beneficência Portuguesa do Recife e atuava como captadora de candidatos para o esquema.
Esquema familiar
As investigações revelam que a suposta organização criminosa beneficiava familiares e pessoas próximas dos principais envolvidos.
De acordo com a PF, Wanderlan Limeira de Sousa, além de ser apontado como operador da fraude, teria favorecido irmãos, filhos e sobrinhos, que também foram aprovados em concursos de alto prestígio.
Entre eles estão Valmir Limeira de Souza, de 53 anos; Wanderson Gabriel de Brito Limeira, de 24; e Larissa de Oliveira Neves, de 25. Todos teriam sido aprovados para o cargo de auditor fiscal do trabalho no CNU 2024.
O grupo foi identificado após denúncia anônima. Segundo a PF, a comparação dos gabaritos obtidos junto à banca organizadora mostrou que Wanderlan e Valmir acertaram 59 das 60 questões da prova e erraram exatamente as mesmas questões, apesar de terem realizado o exame em turnos diferentes.














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