INSS: servidor com salário de R$ 24 mil comprou Porsche de R$ 787 mil aponta relatório
- Renalice Silva

- 7 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Carro foi adquirido por Thaisa Hoffmann, mulher de procurador do INSS afastado pela Operação Sem Desconto
De acordo com informações Porta Metrópoles publicada nesta terça-feira (7). A empresária Thaisa Hoffmann, esposa do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Oliveira Filho, comprou um SUV Porsche Cayenne híbrido avaliado em R$ 787.312,00 em agosto de 2024. A aquisição ocorreu enquanto o então procurador atuava em processos ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

A compra foi feita por meio da empresa THJ Consultoria, em uma concessionária de Curitiba (PR). As informações constam em documentos sigilosos encaminhados à CPMI do INSS no Congresso Nacional.
Entre 2022 e 2024, Thaisa também adquiriu três imóveis — dois em Curitiba e um em Brasília —, com valores que somam R$ 3,47 milhões, todos pagos à vista. O mais caro é um apartamento no bairro Campo Comprido, avaliado em R$ 2,5 milhões. Ela também comprou uma sala comercial na capital paranaense e um apartamento às margens do Lago Paranoá, em Brasília.
Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) aponta que Virgílio Filho chegou a reservar um Audi A5 Sedan Performance S Edition, avaliado em cerca de R$ 380 mil, em maio de 2025 — mesmo após ser alvo da Operação Sem Desconto.
No mesmo ano, ele já havia adquirido uma Mercedes-Benz GLB 35 AMG, avaliada em R$ 508,5 mil, conforme a Tabela Fipe.
As investigações indicam que Virgílio Filho recebeu ao menos R$ 11,9 milhões de empresas ligadas a suspeitos do esquema conhecido como “Farra do INSS”, que apura descontos irregulares em benefícios de aposentados. Desse total, R$ 7,5 milhões teriam sido transferidos a Thaisa Hoffmann pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU), Virgílio exerceu o cargo de procurador-geral do INSS entre abril de 2020 e junho de 2022, e novamente entre setembro de 2023 e abril de 2025, quando foi afastado judicialmente. Após o afastamento, foi exonerado pela AGU.
Aumento patrimonial de R$ 18,3 milhões
Documentos da Controladoria-Geral da União (CGU) enviados à CPMI apontam que Virgílio Filho teve acréscimo patrimonial de R$ 18,3 milhões no período analisado. Parte desse valor seria proveniente de pagamentos feitos por pessoas e empresas investigadas.
Ainda segundo a CGU, o ex-procurador teria favorecido a Contag ao autorizar o desbloqueio em lote de benefícios previdenciários, permitindo a inclusão de descontos associativos. O procedimento teria sido feito em desacordo com pareceres técnicos do órgão.
A reportagem tentou contato com Virgílio Filho e Thaisa Hoffmann na tarde de segunda-feira (6/10), por e-mail e mensagem de texto, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Com informações do Portal Metrópoles














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