'Dama do Crime', apontada como elo operacional do CV entre MG e outros estados, é presa em Búzios
- Renalice Silva

- 13 de jan.
- 4 min de leitura
Mulher de 38 anos é figura conhecida no meio policial por sua participação em articulações interestaduais da facção

Uma mulher de 39 anos, conhecida como a “Dama do Crime” e apontada como elo operacional do Comando Vermelho (CV) entre Minas Gerais e outros estados, foi presa em Búzios, no interior do Rio de Janeiro, no dia 22 de dezembro de 2025. A prisão foi confirmada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) nesta terça-feira (13/1).
Segundo a Sejusp, a mulher, identificada como Anne Casaes, atuava como ligação operacional da organização criminosa entre Minas Gerais, Mato Grosso e Rio de Janeiro, sendo considerada uma figura conhecida no meio policial por sua participação em articulações interestaduais do CV.
A pasta informou que a operação foi viabilizada a partir do compartilhamento qualificado de informações de inteligência. A abordagem e a prisão da foragida foram realizadas pelo 25º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), com apoio das forças de segurança fluminenses, sem registro de intercorrências.
Durante as diligências, conforme a Sejusp, foi identificada uma fraude no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), relacionada ao registro indevido de cumprimento de mandado de prisão, por meio do uso irregular de credenciais funcionais vinculadas a um servidor do sistema prisional de Minas Gerais, sem que houvesse a efetiva custódia da investigada. O caso foi comunicado ao Tribunal de Justiça, que adotou as providências necessárias para a regularização da situação judicial e a expedição de um novo mandado.
A Sejusp acrescentou que, paralelamente, os órgãos de inteligência do Rio de Janeiro mantiveram monitoramento contínuo da investigada, o que resultou em sua localização e prisão em Búzios.
Posicionamento da defesa
Em nota, o advogado de defesa de Anne Casaes, Marco Antônio de Assis Neves, informou que tomou conhecimento, no início da noite desta terça-feira (13/1), da prisão de sua cliente na cidade de Búzios, em cumprimento a mandado expedido pela 2ª Vara de Tóxicos da Comarca de Belo Horizonte, oriundo de processo instaurado no ano de 2022.
O defensor ressalta que se tratam de fatos antigos, que não guardam qualquer relação com a atual realidade de vida da mulher, sendo certo que Anne Casaes já cumpriu mais da metade da pena que lhe foi imposta, circunstância que não foi devidamente considerada no momento da expedição da ordem de prisão, tampouco sua condição de mãe de menor de idade, fator que impõeespecial proteção legal e constitucional. Por fim, ele declarou que acredita na liberdade de Anne Casaes.
Veja o posicionamento na íntegra:
"A Defesa de Anne Casaes informa que tomou conhecimento, no início da noite da presente data, de sua prisão na cidade de Búzios/RJ, em cumprimento a mandado expedido pela 2ª Vara de Tóxicos da Comarca de Belo Horizonte/MG, oriundo de processo instaurado no ano de 2022. Ressalta-se que se tratam de fatos antigos, que não guardam qualquer relação com a atual realidade de vida da custodiada, sendo certo que Anne Casaes já cumpriu mais da metade da pena que lhe foi imposta, circunstância que não foi devidamente considerada no momento da expedição da ordem de prisão, tampouco sua condição de mãe de menor de idade, fator que impõe especial proteção legal e constitucional.
O processo que deu origem ao mandado prisional é marcado por graves vícios, destacando-se o desaparecimento de prova essencial, consistente em um CD que supostamente conteria gravações, material que não foi disponibilizado à defesa à época, quando Anne era representada por outra banca de advogados, o que comprometeu de forma inequívoca o contraditório e a ampla defesa, em afronta direta às garantias constitucionais.
A Defesa atual já está adotando todas as providências jurídicas cabíveis, inclusive para a expedição da guia de execução penal e para o restabelecimento da prisão domiciliar, medida que já havia sido concedida anteriormente em outros Estados, em reconhecimento às circunstâncias pessoais e processuais da acusada.
Por fim, a Defesa esclarece que Anne Casaes é inocente dos fatos que motivaram a ordem de prisão, não possui qualquer vínculo com facção criminosa, não tem envolvimento com fraude no sistema de justiça, sendo absolutamente inverídicas quaisquer afirmações em sentido contrário. Não há dúvidas que conseguiremos a liberdade da Sra. Anne Cristina Casaes da Silveira.
A defesa permanece à disposição para esclarecimentos".
No ano passado, "Dama do Crime" foi presa em cobertura no Buritis
No dia 15 de julho de 2025, Anne foi presa em um apartamento no bairro Buritis, na região Oeste de Belo Horizonte. Na ocasião, a Polícia Civil (PCMG) informou que a suspeita levava uma vida de luxo. Conforme a instituição, ela recebia um seguro de vida de R$ 2 milhões pela suposta morte do marido, Júnior Gago, apontado pela PCMG como um dos líderes do CV.
Entretanto, menos de 24 horas após a prisão, a mulher ganhou a liberdade. A decisão foi proferida pelo Tribunal de Justiça do Mato Grosso, onde a investigação ocorria na ocasião.
A informação da soltura foi confirmada a O TEMPO no dia 16 de julho pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e pelo advogado de Anne, .
"A Defesa Técnica informa que, após diligente atuação, foi revogada a prisão preventiva anteriormente decretada, sendo plenamente restabelecida a liberdade da assistida. Desde o início, sustentou-se que a prisão era injusta, desproporcional e desprovida dos requisitos legais exigidos, tratando-se de uma medida precipitada e sem respaldo jurídico", escreveu Marco Antônio.
Na época em que foi presa, o delegado Anderson Kopke, da 3ª Delegacia Especializada em Investigação de Fraudes da PCMG, a mulher já tinha sido presa em 2022, também por crimes relacionados a lavagem de dinheiro. No ano passado, conforme Kopke, ela foi presa porque estava lavando dinheiro utilizando diversas contas.
Anne era considerada uma das mulheres de confiança da facção. Conforme o delegado, sua atuação criminosa se intensificou justamente após a suposta morte do marido.
"Segundo as investigações, a suspeita desempenhava uma função central na comunicação entre lideranças da facção em diferentes estados da federação, atuando especialmente na coordenação de ações interestaduais e no processo de ocultação e reinvestimento de recursos oriundos de crimes como o tráfico de drogas", disse a PCMG em 2025.
com informações do portal O TEMPO














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