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Crise no Ninho: saída de Filipe Luís vira estopim e José Boto fica por um fio no Flamengo

Discurso no treino irrita elenco, clima pesa no CT e pressão sobre dirigente aumenta nos bastidores.

Foto: Marcelo Cortes / CRF
Foto: Marcelo Cortes / CRF
O clima esquentou de vez no Flamengo. A demissão de Filipe Luís não abalou apenas o comando técnico: o processo de desligamento ampliou a rejeição interna ao diretor de futebol José Boto, que vive sua maior crise desde que chegou ao clube.

A decisão final partiu do presidente Bap, mas foi Boto quem comunicou o treinador em uma conversa rápida no vestiário do Maracanã, logo após a entrevista coletiva. O episódio pegou mal no elenco e entre funcionários do Ninho do Urubu, especialmente após a informação de que o dirigente já participava das tratativas com Leonardo Jardim dias antes da demissão ser oficializada.


Discurso atravessado e silêncio no vestiário

Se o ambiente já era delicado, piorou no treino da última terça-feira. Em uma fala de cerca de dois minutos, Boto reuniu os jogadores e dividiu com o grupo a responsabilidade pela saída de Filipe Luís. Segundo relatos, o dirigente criticou atletas que estariam mais preocupados com renovações contratuais do que com desempenho em campo.


A reação foi imediata — e silenciosa. O elenco deixou a reunião sem responder ao diretor, num gesto interpretado como sinal claro de insatisfação.


A postura distante de Boto no dia a dia também é alvo de críticas antigas. Jogadores reclamam da falta de presença do dirigente em momentos de crise, como na derrota da Supercopa para o Corinthians. Internamente, funcionários também questionam o trabalho, classificado por uma fonte como “raso”, especialmente na reestruturação prometida para o departamento de futebol.


Prestígio em queda, pressão nas arquibancadas

Apesar do desgaste crescente, Boto ainda conta com respaldo do presidente Bap. No entanto, o ambiente no CT é descrito como próximo do insustentável. O mandatário passou a interferir mais diretamente na rotina do futebol nos últimos meses, sinal de alerta claro.


O dirigente já vinha sendo alvo de protestos de torcedores na porta do Ninho do Urubu. A crise atual supera até mesmo a turbulência do ano passado, quando houve polêmicas em negociações e atritos públicos com jogadores do elenco.


Contratado em 2025 com status de especialista em scouting, José Boto participou de uma temporada histórica em títulos. Mas o prestígio acumulado parece ter evaporado rapidamente. Hoje, dentro e fora de campo, o diretor balança — e o futuro no clube é cada vez mais incerto.


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