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VEM 2° TURNO NO CHILE: Ex-ministra comunista e “Bolsonaro chileno” largam na frente para o segundo turno no Chile

Jeannette Jara e José Antonio Kast se enfrentam em dezembro em disputa marcada por segurança e imigração


O primeiro turno das eleições presidenciais chilenas apontou Jeannette Jara, ex-ministra do Trabalho e representante da Coalizão Progressista de Centro-Esquerda, e José Antonio Kast, do Partido Republicano e alinhado à direita conservadora, como favoritos para o segundo turno, marcado para 14 de dezembro.


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Com 52% dos votos apurados, Jara lidera com 26%, enquanto Kast aparece com 24%. Nenhum dos candidatos ultrapassou 50%, confirmando o confronto direto entre os extremos do espectro político.


Oito candidatos disputaram o pleito, com três deles — Kast, Evelyn Matthei e Johannes Kaiser — na disputa pela vaga da direita. Pesquisas indicam que a soma das vertentes de direita supera 50% das intenções de voto, enquanto Jara teria dificuldade para ultrapassar 30%, mostrando favoritismo da direita para dezembro.


O retorno do voto obrigatório marcou o pleito, uma mudança histórica desde 1990. Analistas apontam que os novos eleitores buscam mudanças práticas para o dia a dia, mais do que ideologias.


A segurança pública e a imigração ilegal dominaram a campanha, em meio ao aumento da violência e da presença de grupos como o Tren de Aragua, oriundo da Venezuela.



José Antonio Kast: o conservador que evoca Trump e Bolsonaro

Aos 59 anos, Kast construiu sua carreira política na direita chilena, destacando-se pelo conservadorismo católico e apoio ao regime militar de Augusto Pinochet. Fundador do Partido Republicano, defende políticas de “mão dura” contra a imigração ilegal e a criminalidade, incluindo a instalação de cercas e valas nas fronteiras com Peru e Bolívia, inspiradas nos modelos de Donald Trump e Nayib Bukele.


Na economia, propõe um ajuste fiscal de US$ 6 bilhões em 18 meses, cortes nos gastos públicos e parcerias público-privadas, adotando um discurso similar ao de Javier Milei. Kast disputa sua terceira eleição presidencial, após derrota em 2021 para Gabriel Boric.


Jeannette Jara: a comunista pragmática

Jara, 51 anos, vem de uma família operária de Santiago e se destacou no movimento estudantil. Formada em administração pública e direito, entrou para a política como assessora e subsecretária durante o governo de Michelle Bachelet, antes de assumir o Ministério do Trabalho no governo Boric.


Seu histórico inclui reformas trabalhistas e previdenciárias, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e aumento do salário mínimo. No segundo turno, Jara busca ampliar seu eleitorado, conquistando votos da centro-direita e mostrando seu perfil pragmático para reduzir o medo do comunismo promovido pela oposição.


O segundo turno no Chile será um duelo entre visões opostas: a segurança e o controle da imigração, defendidos por Kast, contra políticas sociais e reformas trabalhistas de Jara, com os eleitores decidindo qual caminho o país seguirá nos próximos quatro anos.

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