Trump fala em “guerra interna” e exige lealdade ideológica das Forças Armadas
- Renalice Silva

- 30 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Em um movimento sem precedentes na história recente dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump reuniu centenas de comandantes militares em Quantico, no estado da Virginia e exigiu lealdade explícita à agenda ideológica de sua administração.
O republicano chegou a falar em “guerra interna”, defendendo o uso das Forças Armadas contra cidades governadas pela oposição e descrevendo adversários políticos, imigrantes e movimentos sociais como “inimigos que vêm de dentro”.

“A América está sob invasão interna. Não é diferente de um inimigo externo, mas ainda mais perigoso porque não usam uniformes”, afirmou Trump diante de generais e almirantes.
O presidente anunciou a criação de uma força de resposta rápida para atuar em distúrbios civis, sugeriu transformar cidades consideradas “perigosas” em “campos de treinamento” e advertiu que oficiais que não aceitarem sua linha de comando “podem ir embora, junto com suas patentes e carreiras”.
Secretário da Defesa endurece tom e pede renúncia de opositores
O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, reforçou o discurso e declarou que a era do “politicamente correto” acabou dentro das Forças Armadas. Chamou de “falácia insana” a ideia de que a diversidade seria uma força da instituição e criticou “generais gordos” e “aparências pouco profissionais” nos corredores do Pentágono.
“Se as minhas palavras de hoje pesam no seu coração, faça a coisa honrosa e renuncie”, disse Hegseth à plateia.
Ele anunciou ainda a reavaliação de políticas de inclusão e dos padrões físicos exigidos, afirmando que cargos de combate terão exigências rígidas “neutras em termos de gênero” — o que pode resultar na exclusão de mulheres de determinadas funções.
Risco de ruptura institucional
O discurso de Trump e Hegseth provocou forte reação de analistas em direito constitucional e segurança nacional. Especialistas lembram que as Forças Armadas americanas têm como missão institucional a defesa da Constituição e a neutralidade política, sendo restritas por lei de atuar como força de polícia doméstica.
Transformar cidades em áreas de treinamento militar e criar unidades para reprimir civis são medidas que podem colidir com o Posse Comitatus Act, legislação que limita o uso do Exército em ações de segurança interna.
Sinais de alerta
Segundo militares ouvidos pela imprensa sob condição de anonimato, o clima na reunião foi de desconforto. Alguns viram na fala presidencial um risco de captura política das Forças Armadas. Ainda não há confirmação de mudanças imediatas nas regras de engajamento, mas fontes apontam que o tema deve gerar forte embate no Congresso e possivelmente nos tribunais.
A tentativa de Hegseth de rebatizar o Departamento de Defesa como “Departamento de Guerra” — iniciativa que ainda depende de aval legal — também é vista como um sinal de radicalização e endurecimento da agenda militar do governo.
O que está em jogo
O episódio marca um dos momentos mais delicados da relação entre governo e Forças Armadas desde a Guerra do Vietnã. Especialistas avaliam que a pressão por lealdade ideológica ameaça a tradição de apoliticidade das tropas, um dos pilares da democracia americana.
“Estamos diante de uma linha tênue entre o uso legítimo da força para proteger o país e a tentativa de transformar as Forças Armadas em instrumento de um projeto político”, resumiu um ex-oficial ouvido pela imprensa.
RA (AP, Reuters, DW)














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