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Tesouro barra garantia e força correios a suspender empréstimo bilionário


Os Correios suspenderam, nesta terça-feira (2), a tramitação do empréstimo de R$ 20 bilhões que seria contratado junto a um consórcio de grandes bancos após o Tesouro Nacional recusar a garantia da União, considerada essencial para viabilizar a operação.



A decisão foi tomada depois de a equipe econômica avaliar que a taxa de juros proposta ultrapassava o limite permitido em operações com garantia soberana.


O pedido de financiamento havia sido aprovado no fim de novembro pelo conselho da estatal, que negociava com Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. A proposta, porém, oferecia remuneração próxima de 136% do CDI — acima do teto de 120% adotado como referência para operações em que o risco é assumido pelo governo federal.


Segundo o Tesouro, a taxa elevada não tinha justificativa técnica, uma vez que, com a União como fiadora, o risco para os bancos praticamente desaparece. Caso a empresa não honrasse o pagamento, o Tesouro arcaria integralmente com o compromisso.


fazenda já havia demonstrado resistência

Desde o início das tratativas, técnicos do Ministério da Fazenda manifestaram preocupação com o potencial impacto fiscal da operação. O secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, afirmou que a situação financeira dos Correios exige atenção e que o governo continuará acompanhando os desdobramentos.


O empréstimo fazia parte do plano de reestruturação da estatal, que prevê reduzir déficits, vender imóveis ociosos, rever contratos, promover programas de desligamento voluntário e tentar retomar a capacidade de investimento. A expectativa era de que a empresa voltasse ao lucro a partir de 2027.


Com a suspensão da linha de crédito, os Correios devem reavaliar a estratégia de financiamento e renegociar condições com o consórcio de bancos, enquanto o governo mantém alerta para eventuais riscos ao Tesouro e ao contribuinte.


situação atual da estatal

  • A empresa acumula déficits e perda de participação no mercado de encomendas;

  • Despesas com logística e pessoal seguem em alta;

  • Há passivos trabalhistas e previdenciários que pressionam o caixa;

  • Resultados positivos pontuais não foram suficientes para reverter a fragilidade financeira.


tcu analisará riscos fiscais

Na segunda-feira (1º), o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu que o TCU monitorasse todo o processo. O subprocurador Lucas Furtado destacou que os juros previstos — 136% do CDI — poderiam gerar custo bilionário em dez anos e acabar transferindo o ônus para o Tesouro, caso a estatal não cumprisse suas obrigações.


Furtado ainda ressaltou a necessidade de observar taxas administrativas, encargos e demais custos associados ao empréstimo, reforçando que qualquer desequilíbrio poderia recair sobre o contribuinte brasileiro.

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