Ruas alagadas, crianças na lama e promessas no papel: abandono no Taquari já dura mais de seis meses
- Renalice Silva

- 17 de abr.
- 2 min de leitura
Moradores do Polo Menino Jesus, no bairro Taquari, em Rio Branco, vivem há mais de seis meses em meio a ruas tomadas por água parada, lama e abandono. A situação, registrada nesta quinta-feira (17), escancara a precariedade da infraestrutura em uma área onde mais de 400 famílias enfrentam diariamente dificuldades básicas de mobilidade, saúde e acesso à educação.

Entre a Travessa das Torres e a Estrada do Sol, o cenário é de descaso prolongado. Ruas praticamente intrafegáveis transformaram a rotina dos moradores em um exercício constante de resistência. Em alguns trechos, como a Travessa Hermínio, a passagem já foi praticamente abandonada pela própria população, diante do risco e das condições insalubres.

A presidente da associação de moradores, Maria Amanda, resume o sentimento coletivo: a sensação é de abandono. Segundo ela, a ausência de respostas efetivas do poder público tem agravado o sofrimento da comunidade. “Tá difícil. A gente se sente esquecido”, desabafa.
O problema vai além do desconforto. A água acumulada levanta preocupação com doenças, principalmente entre crianças e idosos. “É uma vergonha. A gente vive dentro da água, com risco de doença. Quando chove, piora tudo. Nem entrega chega aqui direito”, relata o morador Ronaldo Nascimento.

Um dos pontos mais críticos é o impacto na educação. O ônibus escolar deixou de circular na região há mais de seis meses. Sem alternativa, crianças precisam atravessar áreas alagadas para conseguir chegar até locais onde possam embarcar rumo à escola. Em dias de chuva, a situação se torna ainda mais perigosa.
O morador Danilo O.D afirma que o polo está praticamente isolado. Segundo ele, equipes da prefeitura já estiveram no local, mas sem apresentar soluções concretas. “A comunidade já está cansada”, afirma. Ele também relata que recebeu recentemente uma ligação do prefeito, que prometeu agilizar as melhorias. Até agora, no entanto, o que se vê é a continuidade do problema.

A ironia amarga aparece até nos nomes das ruas. Na chamada Travessa da Felicidade, o que predomina é o oposto: lama, água parada e frustração. “De felicidade não tem nada, só tristeza e abandono”, resumem moradores.

Enquanto promessas seguem sendo feitas, a realidade permanece a mesma. Sem acesso digno, sem transporte escolar e expostos a riscos constantes, os moradores do Polo Menino Jesus seguem à espera de algo básico: condições mínimas de viver com dignidade.














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