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"PROVOCATIVA E DESNECESSÁRIA" Governo Lula entra na berlinda após decisão de Moraes e críticas dos EUA sobre prisão de Bolsonaro

O governo brasileiro trabalha para conter danos após o fim da aparente “trégua diplomática” com os Estados Unidos, desencadeado por críticas diretas do Departamento de Estado à prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).


            Vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau Photo: Saul Loeb/AFP/Getty Images
            Vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau Photo: Saul Loeb/AFP/Getty Images

A declaração mais dura veio do vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, que classificou a prisão do ex-presidente, realizada no sábado (22), como “provocativa e desnecessária”. A crítica foi referendada neste domingo (23) pela Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, que republicou a mensagem nas redes sociais — movimento considerado incomum e de forte peso diplomático.


Mesmo com pressão, Planalto minimiza tensões

Apesar da repercussão, integrantes da diplomacia brasileira afirmam que o posicionamento não deve comprometer negociações em andamento entre os dois países. Eles destacam que a fala partiu de um funcionário do Departamento de Estado, dirigido por Marco Rubio, mas ressaltam que a Casa Branca é quem define o rumo das relações.


Nos bastidores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca reverter todas as medidas adotadas pelos EUA desde julho, incluindo a Lei Magnitsky, que impôs sanções pessoais ao ministro Moraes e sua esposa, além da suspensão de vistos de ministros brasileiros.


A retirada recente da tarifa de 40% sobre parte dos produtos agrícolas brasileiros é vista como um passo, mas Brasília quer a revogação completa da sobretaxa e a eliminação total das sanções a autoridades nacionais.


Landau fala em ameaça ao Estado de Direito no Brasil

Em sua postagem, Landau afirmou que os EUA estão “profundamente preocupados” com o que chamou de um novo ataque ao Estado de Direito e à estabilidade política no Brasil — responsabilizando diretamente Moraes, relator do processo sobre o plano de golpe no STF.


A manifestação marcou o fim do silêncio diplomático dos EUA sobre Bolsonaro, rompido desde o encontro entre Lula e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York.


Apesar disso, fontes próximas às negociações garantem que o nome de Bolsonaro não foi citado nas conversas recentes entre Lula e Trump. Para esses interlocutores, a situação do ex-presidente já estaria neutralizada na pauta bilateral.


Diplomacia brasileira tenta desfazer narrativa de perseguição

O Itamaraty reforçou aos EUA que Bolsonaro teve processo regular, com direito a ampla defesa e julgamento dentro das normas legais. A estratégia busca desmontar a narrativa americana de que haveria perseguição política ao ex-presidente — ponto central usado para justificar as sanções.


Hoje em prisão domiciliar, Bolsonaro foi condenado em setembro a 27 anos e três meses em regime fechado por tramar um golpe de Estado após perder as eleições de 2022.


Sanções ainda em aberto

Desde julho, as tensões subiram após o governo Trump adotar medidas inéditas contra figuras do Judiciário e do Executivo brasileiros. A justificativa foi a suposta caça às bruxas contra Bolsonaro.


Quando anunciou a sobretaxa de 40%, Trump citou o ex-presidente em carta enviada a Lula. No anúncio da retirada da tarifa, na última quinta-feira (20), o nome de Bolsonaro não voltou a ser mencionado, o que foi interpretado como sinal de que o tema pode estar perdendo força no governo americano.


O governo brasileiro ainda avalia a repercussão das críticas dos EUA, mas afirma que seguirá pressionando pela reversão total das sanções. Diplomatas acreditam que a postura pública americana não reflete necessariamente o humor das negociações internas e seguem confiantes em um acordo mais amplo.

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