Prisão de Bolsonaro e aposta em Flávio escancaram racha na direita
- comunicacao deolhonoacre
- 26 de jan.
- 3 min de leitura
Candidatura ao Planalto expõe disputas no PL, tensão com aliados e dificuldades para unificar o campo conservador

A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal aposta do grupo para a disputa presidencial expuseram, nas últimas semanas, divergências internas e tensões no campo da direita.
Movimentos desencontrados de aliados, disputas partidárias e dificuldades para consolidar apoios ampliaram o clima de instabilidade às vésperas do ano eleitoral.
Um dos principais focos de desgaste envolve o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Sinais ambíguos sobre uma eventual candidatura presidencial irritaram o núcleo bolsonarista e a cúpula do Partido Liberal (PL). Diante da repercussão negativa, Tarcísio tentou conter a crise ao anunciar publicamente que disputará a reeleição ao governo paulista e reafirmar sua lealdade a Bolsonaro.
Apesar do gesto, o governador acabou no centro de um embate político entre o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (SP). Sóstenes criticou Tarcísio por não ter se filiado ao PL, argumento rebatido por Pereira, que afirmou que o Republicanos “não faz política no grito, nem cria crises para aparecer”.
Outro episódio que agravou o mal-estar foi o cancelamento de uma visita de Tarcísio a Bolsonaro, que está detido na chamada “Papudinha”. Oficialmente, o governador alegou conflito de agenda. Nos bastidores, porém, o adiamento teria ocorrido após declarações de Flávio Bolsonaro indicando que o ex-presidente cobraria gestos públicos de apoio à sua pré-candidatura.
Para reduzir as tensões, uma nova visita de Tarcísio a Bolsonaro está prevista para esta semana. O governador também declarou que irá trabalhar pelo nome de Flávio em São Paulo.
Apoios ainda incertos
A cerca de oito meses das eleições, Flávio Bolsonaro ainda não conseguiu consolidar o apoio de lideranças do centrão e da centro-direita. Nas redes sociais, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem intensificado cobranças por unidade da direita, diante das divisões internas.
Mesmo com os ruídos, aliados se articulam para fortalecer a candidatura. O senador Rogério Marinho (PL-RN) anunciou que desistiu de disputar cargos estaduais e passará a se dedicar integralmente à campanha de Flávio. Ex-ministro de Bolsonaro e líder da oposição no Senado, Marinho era cotado para o governo do Rio Grande do Norte. Sua entrada na coordenação é vista como uma tentativa de unificação do campo conservador.
Disputas internas no PL
As dificuldades, no entanto, vão além da sucessão presidencial. O PL enfrenta embates internos e deserções no período pré-eleitoral. Um dos casos mais recentes foi a saída do ex-ministro do Turismo Gilson Machado, que deixou o partido após não obter apoio para disputar uma vaga ao Senado por Pernambuco.
Em carta, Machado afirmou seguir alinhado a Bolsonaro, mas criticou a decisão da direção estadual da legenda, que optou por outro nome. “Sigo minha caminhada alinhada aos valores do presidente Bolsonaro”, escreveu.
No Ceará, a construção de alianças também gerou atritos sobre quem seria o principal representante de Bolsonaro na disputa estadual. O impasse expôs ainda uma crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, e os filhos do ex-presidente.
Enquanto Eduardo e outros aliados defendiam uma possível aliança com Ciro Gomes (PSDB), Michelle se posicionou contra e criticou duramente a ideia. “Fazer aliança com um homem que é contra o maior líder da direita? Isso não dá”, afirmou.
Cenário indefinido
O PL também enfrenta dificuldades em São Paulo, onde dois importantes puxadores de votos estarão fora do jogo. Carla Zambelli está presa e inelegível, enquanto Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos, com futuro político indefinido.
Já em Santa Catarina, a disputa pelas duas vagas ao Senado segue aberta. O partido lançou Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, como candidato pelo estado, movimento que também gerou questionamentos internos.
Com Bolsonaro fora do cenário eleitoral direto, a direita tenta se reorganizar, mas os conflitos, disputas e indefinições indicam que a construção de uma candidatura unificada ainda enfrenta obstáculos significativos.














Comentários