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Pressão explode na CPI: Alcolumbre resiste a liberar lista de visitas do Careca do INSS

A CPI que investiga fraudes no INSS elevou a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para liberar a lista de parlamentares visitados pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso pela Polícia Federal sob acusação de comandar um esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias e pensões.


Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O impasse ocorre porque Alcolumbre decidiu manter a determinação de seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que decretou sigilo de 100 anos sobre as informações de entrada e saída de visitantes nos gabinetes. A justificativa da decisão foi de que a divulgação poderia ferir a intimidade de parlamentares e comprometer a imunidade parlamentar.


Pressão dos dois lados

A princípio, a cobrança vinha da oposição, que tenta identificar quais senadores mantiveram contato com Antunes nos últimos anos. Contudo, a demanda ganhou força também entre governistas, que querem provar que parlamentares ligados ao bolsonarismo receberam representantes de entidades envolvidas no esquema antes de 2022.


Na última semana, a CPI aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do “Careca do INSS”. Poucos dias depois, o empresário foi preso preventivamente por risco de fuga, após a PF apontar compra de imóvel nos EUA e ameaça a testemunhas.


Senadores próximos a Alcolumbre, como Weverton Rocha (PDT-MA), já admitiram encontros com Antunes em seus gabinetes. A abertura da lista poderia revelar outros nomes da base governista e de aliados do presidente do Senado, aumentando o desgaste político.


Caminho judicial

O relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirma que o colegiado ainda busca uma solução política, mas não descarta acionar a Justiça:

— Estamos tentando resolver com diálogo, mas, se não houver saída, podemos entrar com mandado de segurança. Essas informações são fundamentais para os trabalhos — declarou.


Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, tenta reduzir o atrito. Segundo ele, a Casa já se comprometeu a fornecer nomes e datas de entrada dos suspeitos, mas sem revelar os gabinetes de destino.


Depoimento de Antunes

Mesmo após decisão do ministro André Mendonça, do STF, que liberou Antunes de comparecer, a defesa confirmou à CPI que o empresário prestará depoimento ainda hoje.

— Ele virá apresentar sua versão sobre todo esse escândalo — afirmou Viana.


Reações políticas

A oposição insiste que não pode haver blindagem de parlamentares. Rogério Marinho (PL-RN) declarou:

— Se a CPI existe, não pode haver restrição de informação. Precisamos da lista completa das visitas do Careca e de outros operadores.


Do lado governista, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) rebateu:

— A autoblindagem do Senado não pode esconder que o esquema já atuava no governo Bolsonaro. Queremos saber todos os gabinetes visitados, de ontem e de hoje.

Procurado, Alcolumbre não se manifestou.

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