PF aponta fraude contábil em fundos ligados ao Banco Master e cita uso de cemitério para inflar patrimônio
- Renalice Silva

- 18 de fev.
- 2 min de leitura
A Polícia Federal (PF) revelou novos elementos da investigação que apura supostas fraudes contábeis em fundos de investimento ligados ao Banco Master. Mensagens interceptadas indicam que operadores discutiam manobras financeiras e reestruturações societárias com o objetivo de conferir aparência de legitimidade a movimentações consideradas atípicas.

O material embasou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que incluiu diligências contra o banqueiro Daniel Vorcaro e resultou na detenção de Fabiano Zettel. As conversas analisadas pela PF apontam articulações entre Ascendino Madureira, apontado como operador ligado ao banco, e Artur Martins de Figueiredo, então diretor da gestora Trustee.
De acordo com os investigadores, os diálogos revelam orientações técnicas para estruturar fundos de forma a dificultar o rastreamento da origem dos recursos e ocultar beneficiários finais. Em uma das mensagens, considerada simbólica no inquérito, foi utilizada uma imagem do filme O Lobo de Wall Street, produção que retrata fraudes no mercado financeiro.

Superavaliação de ativos
A investigação também aponta indícios de manipulação de registros contábeis para elevar artificialmente o patrimônio da instituição. Segundo a PF, ativos como imóveis e direitos creditórios teriam sido contabilizados por valores acima dos praticados no mercado.
Entre os casos citados está a supervalorização do Cemitério Terra Santa, localizado em Sabará (MG). O terreno, pertencente a empresa vinculada a fundo do portfólio do banco, foi avaliado em R$ 181 milhões durante a fase de formação da instituição. Posteriormente, o valor foi reduzido para R$ 111,7 milhões, o que chamou a atenção de órgãos de controle.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) identificou indícios de elevação artificial das cotas do fundo, apontando possível criação de lastro contábil sem correspondência real de mercado. De acordo com o inquérito, a superavaliação de ativos permitiria a emissão de mais Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para captação de recursos junto a investidores.
Defesas
As defesas dos citados negam a prática de irregularidades. Representantes afirmam que as operações seguiram normas do mercado financeiro e que as discussões registradas nas mensagens tratam de avaliações técnicas respaldadas por laudos especializados.
A investigação segue em andamento para apurar a extensão dos fatos e eventuais responsabilidades.














Comentários