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PF aponta fraude contábil em fundos ligados ao Banco Master e cita uso de cemitério para inflar patrimônio

A Polícia Federal (PF) revelou novos elementos da investigação que apura supostas fraudes contábeis em fundos de investimento ligados ao Banco Master. Mensagens interceptadas indicam que operadores discutiam manobras financeiras e reestruturações societárias com o objetivo de conferir aparência de legitimidade a movimentações consideradas atípicas.

Sede do Banco Master - (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Sede do Banco Master - (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
O material embasou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que incluiu diligências contra o banqueiro Daniel Vorcaro e resultou na detenção de Fabiano Zettel. As conversas analisadas pela PF apontam articulações entre Ascendino Madureira, apontado como operador ligado ao banco, e Artur Martins de Figueiredo, então diretor da gestora Trustee.

De acordo com os investigadores, os diálogos revelam orientações técnicas para estruturar fundos de forma a dificultar o rastreamento da origem dos recursos e ocultar beneficiários finais. Em uma das mensagens, considerada simbólica no inquérito, foi utilizada uma imagem do filme O Lobo de Wall Street, produção que retrata fraudes no mercado financeiro.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Superavaliação de ativos

A investigação também aponta indícios de manipulação de registros contábeis para elevar artificialmente o patrimônio da instituição. Segundo a PF, ativos como imóveis e direitos creditórios teriam sido contabilizados por valores acima dos praticados no mercado.


Entre os casos citados está a supervalorização do Cemitério Terra Santa, localizado em Sabará (MG). O terreno, pertencente a empresa vinculada a fundo do portfólio do banco, foi avaliado em R$ 181 milhões durante a fase de formação da instituição. Posteriormente, o valor foi reduzido para R$ 111,7 milhões, o que chamou a atenção de órgãos de controle.


A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) identificou indícios de elevação artificial das cotas do fundo, apontando possível criação de lastro contábil sem correspondência real de mercado. De acordo com o inquérito, a superavaliação de ativos permitiria a emissão de mais Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para captação de recursos junto a investidores.


Defesas

As defesas dos citados negam a prática de irregularidades. Representantes afirmam que as operações seguiram normas do mercado financeiro e que as discussões registradas nas mensagens tratam de avaliações técnicas respaldadas por laudos especializados.

A investigação segue em andamento para apurar a extensão dos fatos e eventuais responsabilidades.


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