Operação desmantela esquema de tráfico de cubanos na fronteira do Brasil com a Guiana
- comunicacao deolhonoacre
- 6 de fev.
- 2 min de leitura
Grupo usava “rota das Guianas”, mantinha hostel clandestino em Boa Vista e já teria traficado ao menos 200 migrantes.

A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (5), a Operação Malecón, que mira um esquema de tráfico internacional de pessoas na fronteira do Brasil com a Guiana, tendo como principais vítimas migrantes cubanos. Durante a ação, um venezuelano de 32 anos, identificado como José Alberto Lira Lezama, apontado como líder da organização criminosa, foi preso em Boa Vista (RR). Com ele, os policiais apreenderam R$ 12 mil em dinheiro.
O grupo é investigado pelos crimes de tráfico de pessoas e estelionato, este último por meio do uso fraudulento de milhas aéreas para a emissão de passagens. As apurações são conduzidas pela Delegacia de Repressão aos Crimes Organizados (Draco) desde o fim de janeiro, após denúncias feitas pelas próprias vítimas.
Segundo a Polícia Civil, ao menos 200 cubanos foram traficados desde novembro de 2025 apenas por uma das células da organização. O número, no entanto, pode ser ainda maior, já que as investigações indicam que o esquema atuava há pelo menos um ano.

De acordo com o delegado Wesley Costa de Oliveira, responsável pelo caso, a organização chegou a montar um “hostel clandestino” em Boa Vista, equipado com mais de 30 camas, para alojar os migrantes. Antes disso, as vítimas eram mantidas em casas pertencentes aos próprios integrantes do grupo.
As investigações revelam que os cubanos eram aliciados ainda em Cuba, viajavam de avião até Georgetown, na Guiana, e entravam no Brasil por via terrestre, passando por Lethem, na chamada “Rota das Guianas”, até chegar a Roraima. A rota é utilizada devido à dificuldade de obtenção de visto para entrada direta no território brasileiro.
O esquema funcionava de forma estruturada em núcleos: um responsável pelo transporte da Guiana até Boa Vista, outro pelo alojamento dos migrantes na capital roraimense e um terceiro encarregado de enviá-los para outros estados, como Manaus, Curitiba, Brasília e São Paulo, por meio de ônibus ou avião.
Além do tráfico humano, o grupo também é suspeito de aplicar golpes com milhas aéreas furtadas. Em alguns casos, os migrantes chegaram a ser impedidos de embarcar, mesmo após o pagamento pelo deslocamento.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes da organização criminosa e possíveis novas células envolvidas no esquema.














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