No Conselhão, Lula diz que usa barba porque “Jesus Cristo tinha barba” e volta a criticar o mercado financeiro
- Renalice Silva

- 4 de dez. de 2025
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Durante discurso na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o chamado “Conselhão”, realizada nesta quinta-feira (4), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez declarações de tom autobiográfico, religioso e político. Em um dos momentos mais comentados do evento, Lula afirmou que mantém a barba porque “Jesus Cristo tinha barba”.

“Você tem noção de quantos anos eu passei explicando por que eu tinha barba? As pessoas esqueceram que Jesus Cristo tinha barba”, declarou o presidente diante dos conselheiros. Lula também relembrou episódios da campanha presidencial de 1989, quando, segundo ele, era tratado apenas como “o candidato” e cobrado por não falar inglês fluentemente.
“O que eu sei falar é a língua portuguesa do Brasil”, afirmou. Na mesma fala, o presidente comentou sua trajetória pessoal e a falta de formação acadêmica formal. “Eu quando nasci, tinha que me explicar por que eu nasci”, disse à plateia.
Críticas à Faria Lima e ao mercado financeiro
No mesmo discurso, Lula voltou a fazer críticas ao mercado financeiro e, em especial, à Faria Lima, em São Paulo. O presidente afirmou que integrantes da área econômica sofrem pressão constante por parte do setor.

“Fico com pena do pessoal da Fazenda, do Haddad e da turma dele. Todo dia tem uma notícia: déficit fiscal, o governo está gastando… Quem se queixa tanto assim? É a Faria Lima”, disparou. Segundo Lula, o mercado não estaria preocupado com os problemas sociais do país. “Eles não estão preocupados com o povo que passa fome, nem com a periferia. Estão preocupados em saber se vão ganhar mais”, afirmou.
Lula pede comportamento exemplar na política
Ainda durante a reunião, o presidente fez um apelo por mais ética no exercício dos cargos públicos e cobrou “comportamento exemplar” de parlamentares e magistrados.
“Quanto mais exemplar a gente for, mais credibilidade a gente conquista e mais respeitabilidade o povo vai ter nas instituições”, declarou. Lula também sugeriu que o Conselhão elabore propostas para restringir votações à distância no Congresso e em outras instâncias.
“Tem gente que está há dois meses fora do país votando. Tem juiz que mora em outro Estado e não precisa ir a Brasília”, criticou.
Elogios ao Conselhão e a empresários
Ao final do discurso, Lula enalteceu o papel do Conselhão, que foi recriado neste governo e conta com mais de 200 integrantes, entre empresários, sindicalistas, representantes da sociedade civil e movimentos sociais.
O presidente também elogiou a empresária Luiza Trajano, do Magazine Luiza. “Se a gente tivesse 80% dos empresários com a sua cabeça, se tivesse 50% do agronegócio com essa mentalidade, o Brasil seria outro”, afirmou.












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