Menino de 3 anos é encontrado morto na casa do pai; laudo aponta agressões e pai e madrasta são presos
- Renalice Silva

- há 2 minutos
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Justiça determinava visitas ao pai mesmo após medida protetiva; Sabrina, mãe da criança registrou, em 2023, um boletim de ocorrência contra o ex-companheiro por ameaças durante uma discussão envolvendo o filho.

A morte de Gustavo Veloso Feitosa, de apenas 3 anos, continua provocando forte comoção em todo o país e revelando novos detalhes que ampliam a investigação conduzida pela Polícia Civil do Tocantins. O menino foi encontrado sem vida na manhã de segunda-feira (3), em uma residência na região norte de Palmas. Inicialmente, o pai da criança, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, informou que o filho havia morrido após um suposto afogamento na piscina da casa. No entanto, o laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) descartou essa hipótese e apontou sinais de extrema violência no corpo da vítima.
Na madrugada desta quinta-feira (6), Igor Gustavo e a companheira dele, Kathellen Moreira, de 23 anos, foram presos preventivamente por determinação da Justiça, após pedido da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ambos são investigados por possível envolvimento na morte da criança.
O que aconteceu
Segundo a versão apresentada pelo pai à Polícia Civil, Gustavo teria se afogado no domingo (2). Ele afirmou que retirou o menino da piscina, realizou os primeiros socorros e que a criança voltou a respirar após expelir a água ingerida.
Ainda conforme a defesa, acreditando que o filho estava fora de perigo, o advogado deu banho na criança e a colocou para descansar. Horas depois, ao retornar ao quarto, encontrou o menino sem sinais vitais.
Abalado, segundo os advogados, Igor deixou a residência e somente mais tarde procurou espontaneamente a Polícia Civil, onde comunicou a morte, prestou depoimento e entregou as chaves do imóvel para a realização da perícia.
Laudo descartou afogamento
A versão apresentada pelo pai passou a ser contestada após a divulgação do exame preliminar do IML.
Conforme o diretor do Instituto Médico Legal de Palmas, Eduardo Godinho, Gustavo morreu em decorrência de hemorragia provocada por laceração intestinal, além de apresentar diversas lesões compatíveis com agressões físicas.
O perito também afirmou que não foram encontrados indícios de afogamento.
Segundo o laudo, a criança apresentava múltiplos ferimentos pelo corpo, incluindo lesões na face e sinais que indicam possível violência sexual. Exames complementares seguem em andamento e serão anexados ao inquérito policial.
Prisão do pai e da madrasta
Com base nas provas reunidas durante os primeiros dias de investigação, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão preventiva de Igor Gustavo e da madrasta da criança, Kathellen Moreira.

Os investigadores monitoravam o casal em uma residência na região norte de Palmas. Ao tomarem conhecimento da decisão judicial, os investigados acionaram a defesa. Segundo os advogados de Igor, ele permaneceu no imóvel e se entregou voluntariamente para o cumprimento do mandado.
Após passarem pelos procedimentos legais no Instituto Médico Legal, Igor foi encaminhado ao sistema prisional masculino e Kathellen à unidade prisional feminina.
Justiça determinava convivência com o pai
Outro ponto que chamou atenção durante as investigações foi o histórico da disputa judicial entre os pais de Gustavo.
Segundo a defesa da mãe, Sabrina Feitosa, o regime de convivência da criança com o pai havia sido determinado pela Justiça. Mesmo após a concessão de uma medida protetiva em favor da mãe, as visitas continuaram sendo obrigatórias por decisão judicial.
De acordo com a advogada Stella Bueno, Sabrina não poderia impedir os encontros entre pai e filho, sob risco de responder por alienação parental e até perder a guarda da criança.
Medida protetiva e denúncias anteriores
A defesa informou que Sabrina registrou, em 2023, um boletim de ocorrência contra o ex-companheiro por ameaças durante uma discussão envolvendo o filho, que ainda era bebê.
Segundo o relato, Igor queria levar a criança para dormir em sua residência, mas a mãe recusou por ainda estar amamentando.

Após o episódio, Sabrina afirmou ter recebido
ameaças de morte e relatou que o portão de sua casa foi danificado durante a madrugada.
Diante das denúncias, a Justiça concedeu medida protetiva determinando que Igor mantivesse distância mínima de 200 metros da ex-companheira e proibindo qualquer contato direto entre eles. A comunicação sobre assuntos relacionados ao filho deveria ocorrer apenas por intermédio de terceiros.
Vídeo pode reforçar investigação
Outro elemento incorporado ao inquérito é um vídeo gravado pouco antes da morte de Gustavo.
Nas imagens, o menino aparece chorando e afirma que não queria ir para a casa do pai. Ao ser questionado pela mãe sobre o motivo, responde: "Porque ele me bate."
O conteúdo será analisado pelos investigadores juntamente com os demais elementos reunidos durante a apuração.
OAB suspende advogado
Diante da repercussão do caso, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO) determinou a suspensão cautelar do advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa.
Segundo a entidade, a medida tem caráter preventivo e permanecerá válida até a conclusão do procedimento disciplinar instaurado pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED), garantindo ao investigado o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Investigação segue em andamento
A Polícia Civil informou que o inquérito continua em andamento e aguarda a conclusão dos exames periciais complementares para esclarecer completamente a dinâmica dos fatos e definir a responsabilização criminal dos investigados.
Em nota, a defesa de Igor Gustavo afirmou que ele colaborou com as autoridades desde o início das investigações e que não comentará o mérito das acusações em razão do sigilo processual.
Enquanto isso, familiares, amigos e milhares de pessoas que acompanham o caso pelas redes sociais cobram respostas e justiça pela morte de Gustavo, cuja história comoveu o país e reacendeu o debate sobre a proteção de crianças em situações de vulnerabilidade familiar.














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