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NA MIRA DO IMPEACHMENT: Ex-assessor do TSE apresenta Provas no SENADO que Moraes forjou documentos para autorizar busca e apreensão ilegal em operação contra empresários bolsonaristas

Declaração foi acompanhada de documentos apresentados ao Senado; ministro nega irregularidades e afirma que todas as ações foram oficiais e regulares


O ex-assessor de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, acusou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de forjar documentos para justificar uma operação da Polícia Federal contra empresários bolsonaristas em agosto de 2022.


Gabriela Biló /Folhapress
Gabriela Biló /Folhapress
Segundo ele, o relatório técnico que embasou os mandados de busca e apreensão foi produzido seis dias após a operação, mas recebeu data retroativa para aparentar que a decisão havia sido fundamentada antes das medidas policiais.

A declaração ocorreu nesta terça-feira (2), durante audiência da Comissão de Segurança Pública do Senado, presidida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Tagliaferro apresentou prints e metadados que, segundo ele, comprovariam que Moraes não tinha acesso às mensagens dos empresários no momento em que determinou as medidas cautelares.


O caso de 2022

Em agosto daquele ano, após a divulgação pelo portal Metrópoles de mensagens privadas em que empresários manifestavam preferir um golpe militar a uma vitória do PT, Moraes determinou uma série de medidas invasivas: buscas, quebras de sigilo e bloqueio de bens.

O relatório que constava nos autos estava datado de 22 de agosto de 2022, um dia antes da operação. Porém, de acordo com Tagliaferro, o documento foi elaborado em 28 de agosto, já depois da ação.


“Esses laudos foram elaborados por mim, a pedido do gabinete do ministro, dias após a operação”, afirmou o ex-assessor.


Reação do ministro

O gabinete de Alexandre de Moraes afirmou em nota que todas as medidas adotadas foram “oficiais, regulares e devidamente comunicadas à Procuradoria-Geral da República”. O ministro não comentou diretamente a acusação de fraude documental.


Conversas de empresários

As mensagens reveladas pelo Metrópoles incluíam declarações como a do empresário José Koury, dono do Barra World Shopping, que escreveu que preferia um golpe à volta do PT ao poder. Os investigados negaram qualquer articulação golpista e disseram tratar-se de opiniões em conversas privadas.


Denúncias anteriores

Reportagens publicadas pela Folha em 2024 já haviam revelado que, em outros inquéritos, o gabinete de Moraes teria ordenado a produção de relatórios pela Justiça Eleitoral fora do rito normal, funcionando como um braço investigativo paralelo do ministro no STF.


Impacto político

A audiência no Senado coincidiu com o primeiro dia do julgamento, no STF, da chamada “trama golpista” atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a seus aliados.


Flávio Bolsonaro afirmou que pretende encaminhar os documentos apresentados ao presidente do STF, Luís Roberto Barroso, pedindo a suspensão do julgamento. Ele disse ainda que levará as informações ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recentemente anunciou tarifas contra o Brasil em meio às tensões envolvendo o processo contra Bolsonaro.

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