Mendonça impõe freio à cúpula da PF e blinda investigação no STF
- comunicacao deolhonoacre
- 20 de fev.
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Novo relator do caso Master retoma perícias e depoimentos e restringe acesso a informações, limitando influência do diretor-geral da corporação.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, decidiu retomar o andamento normal das investigações do caso Master e, ao mesmo tempo, impor um freio direto na circulação de informações dentro da Polícia Federal. A medida é vista nos bastidores como uma tentativa de blindar a apuração e limitar a influência da cúpula da corporação, especialmente do diretor-geral Andrei Rodrigues.
No despacho publicado nesta quinta-feira (19), Mendonça derrubou restrições impostas anteriormente pelo ministro Dias Toffoli e determinou a retomada de perícias e depoimentos, restabelecendo o chamado “fluxo ordinário” da investigação.
Acesso restrito e dever de sigilo
O ponto central da decisão está na determinação de que apenas policiais e agentes formalmente designados para o inquérito tenham acesso às informações compartilhadas.
Segundo o ministro, “somente as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos” devem ter conhecimento dos dados do processo, ficando submetidos ao dever de sigilo profissional — inclusive em relação a superiores hierárquicos.
Na prática, isso significa que delegados responsáveis pelo caso não são obrigados a repassar informações à direção-geral da Polícia Federal, caso esta não esteja formalmente vinculada ao inquérito.
Além disso, Mendonça reforçou que áreas administrativas da corporação devem apenas garantir estrutura e recursos para a investigação, sem interferir no conteúdo ou no andamento das apurações.
Recado institucional
A decisão também é interpretada como um recado institucional claro: investigações sensíveis devem permanecer restritas à equipe técnica responsável, reduzindo a margem de atuação da cúpula administrativa.
Nos bastidores, interlocutores apontam que o ministro demonstrava incômodo com a possibilidade de informações estratégicas chegarem previamente ao comando da corporação. O movimento ocorre em meio a tensões políticas e à proximidade de Rodrigues com o presidente da República.
Com a medida, Mendonça não apenas retoma o ritmo das investigações do caso Master, como redefine os limites internos de circulação de dados dentro da Polícia Federal — ampliando a proteção ao inquérito e reforçando o controle direto do relator sobre o processo.














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