Maduro apela à paz em discurso de conciliação para se manter no poder, enquanto oposição castigada reage
- Renalice Silva

- 16 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
Nas últimas eleições municipais, um novo bloco opositor despontou na Venezuela, conquistando prefeituras em 50 cidades e se consolidando como alternativa ao chavismo e à extrema direita liderada por María Corina Machado. Embora ainda sem uma liderança central forte, o grupo tem ampliado sua popularidade com vitórias eleitorais em regiões estratégicas.
As siglas mais representativas dessa nova frente são a Fuerza Vecinal, que obteve vitórias na região metropolitana de Caracas, e o Vamos Vamos Cojedes, que já havia conquistado o governo estadual e agora expandiu sua base em cidades do interior.

Maduro pede distanciamento da extrema direita
Após o pleito de 27 de julho, o presidente Nicolás Maduro fez um discurso conclamando os opositores moderados a se distanciarem da extrema direita e a colaborarem para a estabilidade do país.
“Estendo as mãos para o diálogo em prol do país, para virar a página de tantos capítulos horríveis de golpes, sanções e pedidos de intervenção militar estrangeira. Junto com os jovens, convido vocês a trabalhar pelo futuro dos venezuelanos”, disse Maduro.
Racha na direita
O fortalecimento da chamada “nova oposição” ocorreu após o boicote liderado por María Corina Machado às eleições de 2024, que reconduziram Maduro ao poder. A ex-deputada e sua base ultraliberal acusaram fraude sem apresentar provas e incentivaram protestos violentos, mas não participaram das urnas.
O boicote acabou favorecendo o chavismo: o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) conquistou 23 dos 24 estados e 92% da Assembleia Nacional. Analistas apontam que o fracasso da estratégia abriu espaço para setores opositores dispostos a disputar eleições e se diferenciar da ala mais radical.
A oposição em três blocos
Extrema direita (María Corina Machado – Vente Venezuela)
Defende privatizações em larga escala, incluindo a PDVSA.
Apoia protestos e recursos não pacíficos.
Propôs plano “Venezuela Terra da Graça”, estimando faturamento privado de US$ 1,7 trilhão em 15 anos, sem detalhamento técnico.
Nova oposição (Fuerza Vecinal, Vamos Vamos Cojedes)
Aposta na via eleitoral e em gestões locais para construir apoio.
Rejeita o boicote e as manifestações violentas.
Se apresenta como alternativa moderada e social-democrata.
Oposição tradicional (Ação Democrática, Copei, Un Nuevo Tiempo)
Enfraquecida pela falta de unidade e descrédito popular.
Participou de forma tímida em 2024, mas não sustentou liderança.
Desafios da nova oposição
Segundo analistas, a ausência de um programa unificado e de lideranças nacionais fortes limita o crescimento desse novo bloco. O governador de Cojedes, Alberto Galindez, aparece como possível nome moderado para 2026, mas ainda carece de carisma e alcance popular.
O cientista político Eduardo Cornejo destaca que o grupo moderado representa uma ruptura metodológica com a oposição radical:
“Eles perceberam que jamais alcançariam poder pela violência. Optaram pela via eleitoral e, ainda que concordem com o governo em alguns pontos, buscam se diferenciar pela gestão local.”
Já o economista Manoel Sutherland, da Universidade Central da Venezuela, vê nesse setor uma tentativa de conciliar mudanças graduais ao chavismo sem radicalizar pautas liberais.
Perspectivas
Enquanto a extrema direita perde espaço e a oposição tradicional não se recupera, a nova oposição tenta se consolidar pela gestão municipal e pela construção de alianças moderadas. Sua estratégia é ocupar espaços institucionais, evitar rupturas violentas e buscar reconhecimento popular até as eleições de 2026.
O futuro, no entanto, dependerá de sua capacidade de apresentar propostas concretas e de liderar uma alternativa nacional frente ao chavismo e à ultradireita.














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