LULA QUER MAIS ARRECADAÇÃO PARA COBRIR ROMBO FISCAL: Governo Lula enfrenta impasse fiscal e busca apoio no Congresso para elevar arrecadação e evitar colapso orçamentário
- Renalice Silva

- 24 de out. de 2025
- 3 min de leitura
O governo federal tenta acelerar, nas próximas semanas, a aprovação de projetos no Congresso que ampliem a arrecadação e evitem novo rombo fiscal em 2026. Em meio à resistência de parlamentares em apoiar medidas que aumentam impostos, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cobrou do Palácio do Planalto uma melhor articulação política com a base aliada.

Segundo o Jornal O GLOBO, em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Motta destacou que o tempo é curto para aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e as propostas que compõem o chamado pacote fiscal. “Estamos praticamente em novembro, aguardando a LDO. O prazo está bem apertado”, afirmou.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que a equipe econômica trabalha em dois eixos: aumento de receita e corte de despesas. Entre as prioridades está uma nova medida provisória (MP) que prevê redução imediata de gastos, enquanto o Congresso discute um projeto de lei permanente sobre o tema.
🔻 Estratégia de recomposição fiscal
O governo tenta reorganizar a base parlamentar após a derrota da MP alternativa ao IOF, que perdeu validade sem ser votada. O texto previa arrecadar R$ 20,9 bilhões e cortar R$ 10,7 bilhões em despesas, mas acabou barrado por falta de apoio.
A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) determinou a demissão de aliados de deputados que votaram contra o governo e passou a negociar diretamente com parlamentares do Centrão e partidos independentes para recompor o bloco governista.
Além disso, a equipe de Lula aposta em um discurso mais direto: rejeitar aumento de impostos sobre apostas online (“bets”) e grandes empresas seria “agir contra o povo”, segundo líderes do PT.
🎲 Taxação das “bets” e medidas de arrecadação
A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara aprovou regime de urgência para o projeto que dobra a alíquota sobre a receita bruta das apostas on-line, de 12% para 24%. O texto ainda será votado em plenário, mas é considerado peça-chave para fechar o Orçamento.
“Não queriam que a gente taxasse bancos, fintechs, bilionários, bets. O governo não desistiu dessa briga”, declarou o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ).
Outras medidas em análise incluem aumento da tributação sobre fintechs, juros sobre capital próprio e limitação da compensação tributária. O conjunto das ações pode gerar até R$ 30 bilhões entre arrecadação e cortes.
⚖️ Resistência e críticas no Congresso
Mesmo com os esforços, parte dos parlamentares critica o foco do governo em elevar impostos.
“O governo cria as próprias dificuldades. Quer resolver o déficit fiscal com aumento de imposto e não fala em redução de gastos”, afirmou o deputado Domingos Sávio (PL-MG).
O senador Efraim Filho (União Brasil-PB), presidente da Comissão Mista de Orçamento, disse que propostas que atinjam o setor produtivo devem enfrentar forte resistência:
“O Congresso colocou um pé na porta de aumento de impostos. Queremos que o governo foque em corte de gastos.”
📉 Meta fiscal sob pressão
O Tribunal de Contas da União (TCU) manteve autorização para o governo perseguir o piso da meta fiscal em 2025, mas indicou que, a partir de 2026, isso será considerado irregular. O entendimento, relatado pelo ministro Benjamin Zymler, impõe ao Executivo a necessidade de mais fôlego fiscal e amplia o risco de bloqueios orçamentários.
📊 Cenário político
Apesar da tensão, líderes governistas avaliam que a recuperação da popularidade de Lula e o avanço do projeto que isenta o Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos podem ajudar na reaproximação com o Congresso.
“O governo cresceu e está se sentindo mais confortável. Está usando a tática do rico contra o pobre, jogando para o Congresso o peso de quem defende o mais favorecido”, disse o deputado Mário Heringer (PDT-MG).














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