Hamas anuncia retirada do controle total de Gaza e pressiona por libertação de líderes históricos em acordo de paz
- Renalice Silva

- 12 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Uma fonte de alto escalão do Hamas afirmou neste domingo (12) que o grupo decidiu abrir mão do controle administrativo da Faixa de Gaza, em meio às negociações do cessar-fogo mediadas pelo Egito. Segundo a fonte, o movimento pediu a convocação de uma reunião ainda nesta semana para definir a composição de um comitê palestino temporário, tecnocrático e apolítico, que assumiria a gestão do território.

📷 Palestinos buscam suprimentos de ajuda de caminhões que entraram em Gaza | Foto: Ramadan Abed/Reuters – 12.10.2025
“Para o Hamas, a governança da Faixa de Gaza é uma questão encerrada”, disse a fonte à Agence France-Presse (AFP), sob anonimato. “O Hamas não participará de forma alguma da fase de transição, o que significa que abriu mão do controle da Faixa, mas continua sendo uma parte fundamental do tecido palestino.”
De acordo com a mesma fonte, o grupo apresentou, junto a outras facções palestinas, uma lista com 40 nomes para compor o comitê. “Não há veto sobre nenhum deles, e nenhum pertence ao Hamas”, afirmou.
A declaração ocorre em meio às tratativas para consolidar o cessar-fogo e avançar na troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos. O acordo, em vigor desde sexta-feira (10), prevê a libertação de 250 palestinos detidos em prisões israelenses, além de 1.700 moradores de Gaza capturados após os ataques de 7 de outubro de 2023.
Ainda segundo a AFP, o Hamas tenta incluir sete líderes palestinos proeminentes entre os prisioneiros a serem soltos — entre eles, Marwan Barghouti, considerado o “Mandela palestino”. Preso por Israel em 2002 e condenado a cinco penas de prisão perpétua, Barghouti é visto como uma figura central na política palestina e possível unificador de diferentes facções.
O Hamas também sinalizou disposição para interromper suas operações armadas, em aparente contradição com declarações anteriores de dirigentes do grupo, que afirmavam que o desarmamento estava “fora de discussão”.
A mediação do cessar-fogo e das negociações sobre Gaza continua sendo conduzida pelo Egito, com apoio do Catar e dos Estados Unidos, que buscam estabilizar a região após meses de conflito.














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