CENSURA E CORRUPÇÃO: Esquerda do Nepal censura redes sociais para combater “fake news”, e população reage com fúria e violência Generalizada
- Renalice Silva

- 10 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Bloqueio de 26 plataformas digitais desencadeia onda de protestos que deixou 22 mortos, mais de 400 feridos e culminou na queda do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli
O Nepal vive uma das mais graves crises de sua história recente após o governo comunista do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli determinar, na última quinta-feira (4), o bloqueio de 26 redes sociais — incluindo Facebook, Instagram, WhatsApp e X — sob a justificativa de combater a desinformação.

A medida, que afetou milhões de usuários, transformou-se em catalisador para protestos em massa, liderados por jovens da chamada “Geração Z”. Em menos de uma semana, as manifestações se intensificaram e resultaram em 19 mortos, mais de 300 feridos e a renúncia de Oli nesta terça-feira (9).
Violência e ataques a prédios públicos
De acordo com a agência Associated Press (AP), a repressão com munição real contra manifestantes aumentou a indignação popular. Manifestantes incendiaram a residência do premiê — onde sua esposa morreu — além de invadirem e destruírem a sede do Parlamento (Singha Durbar) e da Suprema Corte.
“Os protestos sobre o bloqueio das redes sociais foram apenas um catalisador. A frustração com a forma como o país está sendo governado já vinha fervendo há muito tempo”, disse à AP Prateek Pradhan, editor do site independente Baahrakhari.
Hashtags e mobilização juvenil
A revolta cresceu a partir de hashtags como #NepoBabies, que criticavam o nepotismo político e expunham o estilo de vida de filhos de líderes do governo. Vídeos virais no TikTok mostravam a luxuosa rotina da elite política, em contraste com a baixa renda per capita (US$ 1.400 anuais) e o desemprego juvenil de 20%.
A Human Rights Watch (HRW) denunciou que estudantes foram alvos de disparos diretos da polícia. “O tiroteio mostra o desprezo chocante do governo pela vida de seus próprios cidadãos”, afirmou Meenakshi Ganguly, diretora adjunta da entidade para a Ásia, pedindo investigação imparcial sobre o uso da força letal.
Renúncias e crise institucional
Com a escalada da violência, deputados renunciaram em bloco e cinco ministros abandonaram o gabinete antes da queda oficial de Oli. O Parlamento, já esvaziado, foi tomado por manifestantes que declararam que “a casa perdeu sua legitimidade”.
Especialistas apontam paralelos com outros levantes no sul da Ásia. “No Nepal, grande parte da população jovem sente que o governo e a classe política em geral não se importam com sua situação”, disse Michael Kugelman, analista do The Washington Post.
Segundo ele, a mobilização popular guarda semelhanças com protestos que derrubaram governos no Sri Lanka (2022) e em Bangladesh (2024).














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