Golpe contra triangulação comercial: Trump sai na frente e ameaça sobretaxar em 40% produtos com "alma chinesa"
- Renalice Silva

- 6 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a jogar duro no tabuleiro do comércio internacional. Desta vez, o alvo são os produtos que tentam enganar as tarifas americanas ao disfarçar sua verdadeira origem chinesa com uma simples montagem em países como Vietnã e México. A resposta? Uma sobretaxa de 40% que deve entrar em vigor nesta quinta-feira (7).
A nova política mira diretamente as manobras de “maquiagem industrial”, em que empresas chinesas enviam seus produtos semiacabados para nações intermediárias, onde recebem um retoque final, uma nova etiqueta e chegam aos EUA como se fossem de outro país. Mas para Trump, o produto continua com “alma chinesa”.

Golpe contra triangulação comercial
Embora a medida não cite diretamente a China, especia listas são unânimes: o alvo principal está claro. “É uma ação para aumentar a pressão e impedir que empresas continuem escapando das tarifas já aplicadas”, explica Josh Lipsky, analista do Atlantic Council.
Segundo ele, a nova sobretaxa funciona como uma espécie de “freio de emergência” para conter o avanço de produtos que burlam o sistema e como um recado para os países que colaboram com esse tipo de triangulação.

Vietnã e México podem virar os maiores prejudicados
Desde a guerra comercial travada no primeiro mandato de Trump, o Vietnã despontou como o maior beneficiado na fuga de indústrias chinesas que buscavam escapar das tarifas americanas. Agora, essa rota está na mira de Washington.
Relatórios apontam que as exportações da China para o sudeste asiático subiram em ritmo “anormal” nos últimos meses, justamente quando Trump voltou a ameaçar tarifas. “A demanda interna desses países não justifica esse salto. É evidente que estão servindo de ponte para o mercado americano”, afirma Robin Brooks, da Brookings Institution.
Redesenhando o comércio global
A nova taxação não é apenas um ataque contra a China. Ela representa um passo decisivo na tentativa de reorganizar as cadeias globais de produção, reduzindo a dependência de mercados asiáticos.
“O plano é forçar as empresas a buscar rotas legítimas e confiáveis, mesmo que isso custe mais caro”, afirma Willian Reinsch, do CSIS. “Trump está impondo um novo ritmo ao comércio global, onde não basta mudar a etiqueta. É preciso mudar a estrutura produtiva.”
Trégua comercial com prazo apertado
A ofensiva tarifária acontece em um momento sensível. A trégua comercial firmada entre EUA e China expira no dia 12 de agosto, e ainda não há confirmação oficial sobre sua renovação. Atualmente, o acordo estabelece tarifas reduzidas: 10% para produtos americanos e 30% para produtos chineses.
A decisão final está nas mãos de Trump — e o novo movimento pode ser uma jogada de precisão para arrancar mais concessões da China.
Enquanto isso, especialistas alertam que a fiscalização será um desafio. Determinar a real origem dos produtos exigirá um reforço nas alfândegas americanas, além de cooperação internacional para impedir novas brechas.














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