Exame de sangue para detectar sinais de Alzheimer chega ao Brasil e custa cerca de R$ 3 mil
Teste aprovado pela Anvisa pode facilitar o diagnóstico da doença, mas é indicado apenas para pessoas com sintomas e suspeita clínica. Exame ainda não está disponível pelo SUS.

Um novo exame de sangue capaz de identificar sinais biológicos associados à doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil na quinta-feira (15). O teste, disponível inicialmente no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), custa aproximadamente R$ 3 mil na rede privada e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos durante a investigação da doença.
Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o exame analisa a proteína p-tau217, relacionada às alterações cerebrais características do Alzheimer. A tecnologia pode ajudar médicos a esclarecer a causa de problemas de memória e outras dificuldades cognitivas, especialmente em pacientes com suspeita da doença.
Apesar do avanço, o resultado não confirma sozinho o diagnóstico de demência. A interpretação depende da avaliação clínica e de outros exames, quando necessários.

Como funciona o exame?
O teste mede a quantidade da proteína p-tau217 no sangue. Essa substância está associada ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, uma das alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer.
O resultado pode ser positivo, negativo ou inconclusivo. Nos casos em que não há uma resposta definitiva, o médico pode recomendar exames complementares, como a análise do líquor, que exige uma punção lombar, ou o PET amiloide, um exame de imagem que identifica depósitos da proteína no cérebro.
Um estudo publicado em 2025 na revista científica Nature Medicine, com 1.767 participantes de três países europeus, apontou que os resultados do exame de sangue coincidiram com os da análise do líquor em 89% a 91% dos casos, dependendo do critério utilizado.
Quem pode fazer o teste?
De acordo com as orientações do exame, ele é destinado a pessoas com mais de 50 anos que já apresentam sintomas e passaram por avaliação médica. A indicação deve partir do profissional responsável pelo acompanhamento do paciente.
O neurologista Renato Anghinah explica que o teste faz mais sentido quando avaliações cognitivas já identificaram algum comprometimento, mesmo que leve. Esquecimentos isolados, sem outros sinais de alteração, não são suficientes para justificar a realização do exame.
A utilização em pessoas sem sintomas também não é recomendada, pois ainda não há evidências estabelecidas que permitam interpretar com segurança um resultado positivo nesse grupo.
Exame pode reduzir custos e procedimentos invasivos
Atualmente, a investigação das alterações biológicas associadas ao Alzheimer pode envolver exames de imagem e a coleta de líquor por punção lombar. Esses procedimentos podem ter custos elevados, exigir estruturas especializadas ou causar desconforto ao paciente.
O exame de sangue surge como uma alternativa menos invasiva e com potencial para facilitar o acesso à investigação diagnóstica. Entretanto, a necessidade de exames complementares continua existindo em determinadas situações.
Além do teste disponível em Porto Alegre, o laboratório Richet oferece uma análise semelhante em parceria com o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), com custo informado de R$ 1,8 mil. Segundo o laboratório, o procedimento ainda está em processo de aprovação formal para comercialização.
Quando o exame chegará ao SUS?
Até o momento, não há previsão confirmada para a oferta do teste na rede pública de saúde. O Ministério da Saúde informou que nenhuma solicitação para avaliar a incorporação do exame de p-tau217 havia chegado à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Para que o procedimento seja disponibilizado pelo SUS, será necessário avaliar critérios como segurança, eficácia, custo-benefício e impacto financeiro para o sistema de saúde.
O Hospital Moinhos de Vento informou que pretende buscar a integração do exame aos planos de saúde ainda em 2026, mas não divulgou datas nem confirmou quais operadoras poderão oferecer cobertura.
Diagnóstico precoce pode ampliar opções de tratamento
Identificar o Alzheimer nas fases iniciais pode ajudar o paciente e a equipe médica a planejar os cuidados e avaliar as opções de tratamento disponíveis.
Segundo especialistas citados na reportagem original, medicamentos como donanemabe e lecanemabe podem retardar a progressão da doença em determinados pacientes, mas não interrompem o Alzheimer. A indicação depende de avaliação especializada e de critérios clínicos específicos.
Quem apresenta esquecimentos frequentes ou percebe mudanças persistentes na memória deve procurar atendimento médico. Neurologistas, geriatras e psiquiatras podem investigar os sintomas e determinar quais exames são necessários.
Enquanto o novo teste não é incorporado ao SUS, a rede pública continua utilizando avaliação clínica e exames laboratoriais e de imagem para auxiliar na investigação da doença.















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