Ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, é preso em Paris após escândalo de corrupção internacional
- Renalice Silva

- 21 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Condenado a cinco anos de prisão, político é acusado de receber recursos do ditador líbio Muammar Kadhafi para campanha presidencial de 2007
O ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, foi preso na manhã desta terça-feira (21) e levado à prisão de segurança máxima de La Santé, em Paris, para cumprir uma pena de cinco anos de reclusão. O político foi condenado por conspiração e associação criminosa, acusado de ter recebido financiamento ilegal do regime líbio de Muammar Kadhafi durante sua campanha presidencial de 2007.

Sarkozy chegou ao presídio por volta das 4h35 (horário de Brasília), acompanhado da esposa, a modelo e cantora Carla Bruni. Ele é o primeiro ex-presidente francês a ser encarcerado desde o marechal Philippe Pétain, condenado por colaboração com o regime nazista após a Segunda Guerra Mundial.
Antes de se apresentar à prisão, o ex-presidente divulgou um comunicado afirmando ser vítima de perseguição política.
“Não é um ex-presidente da República que está sendo preso esta manhã — é um inocente”, declarou Sarkozy. “Continuarei a denunciar este escândalo judicial que sofro há mais de dez anos.”
Condições de detenção
De acordo com o chefe do sistema prisional francês, Sébastien Cauwel, Sarkozy ficará em cela individual, medindo entre 9 e 12 metros quadrados, com chuveiro privativo, televisão e telefone fixo. O ex-presidente permanecerá em regime de isolamento, com direito a duas saídas diárias para o pátio e uma sala de atividades reservada.

O advogado de defesa, Jean-Michel Darrois, informou que já protocolou um pedido de liberdade provisória. Ele revelou que Sarkozy se preparou para a prisão levando suéteres, protetores auriculares e três livros, entre eles O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, cuja trama gira em torno de um homem injustamente preso.
Caso Kadhafi
A prisão encerra mais de uma década de investigações sobre o suposto financiamento da campanha presidencial de 2007 com recursos enviados por Muammar Kadhafi, então ditador da Líbia.
Segundo a Justiça francesa, Sarkozy não recebeu diretamente o dinheiro, mas conspirou com assessores para organizar o esquema. O ex-presidente sempre negou as acusações, classificando-as como uma tentativa de manchar sua reputação.
A sentença exige que ele comece a cumprir a pena mesmo com recursos pendentes, reflexo de uma nova postura da Justiça francesa em relação a crimes de colarinho branco.
Repercussão na França
A prisão de Sarkozy provocou forte repercussão política no país. Aliados conservadores consideraram a decisão “injusta” e “humilhante”, enquanto setores da oposição classificaram a medida como um marco na luta contra a impunidade política.
Uma pesquisa da BFM TV indica que 61% dos franceses apoiam a decisão da Justiça e acreditam que o julgamento reforça a credibilidade do sistema judicial.
O atual presidente francês, Emmanuel Macron, que manteve relação cordial com Sarkozy, teria se encontrado com o ex-líder na véspera de sua prisão. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou que pretende visitá-lo nos próximos dias.
Com a prisão, Nicolas Sarkozy se torna símbolo de uma nova era na política francesa — uma em que a Justiça demonstra disposição para punir até as mais altas autoridades do país.














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