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Escola de samba gera revolta ao colocar “família em lata” na Sapucaí e vira alvo de denúncia na PGR

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado no domingo (15), no Rio de Janeiro, gerou forte reação política e religiosa em todo o país. Parlamentares acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta segunda-feira (16), alegando que a apresentação ultrapassou os limites da liberdade artística ao retratar evangélicos de forma considerada depreciativa.

Ala da Acadêmicos de Niterói retrata família tradicional em latas de conserva
Ala da Acadêmicos de Niterói retrata família tradicional em latas de conserva
A controvérsia envolve uma ala intitulada “neoconservadores em conserva”, que levou à avenida integrantes fantasiados como latas, simbolizando a chamada família tradicional — pai, mãe e filhos. Entre os elementos cenográficos estavam referências diretas a evangélicos, militares, agronegócio e mulheres de classe alta. Um dos personagens aparecia com adereço que remetia à Bíblia.

Para críticos, a encenação não foi apenas uma metáfora política, mas uma exposição vexatória de um grupo religioso específico, transmitida em rede nacional e internacional.

O senador Magno Malta (PL-ES) e o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) protocolaram notícias-crime na PGR. Malta enquadra o caso como possível violação da Lei 7.716/1989, que trata de crimes de preconceito, sustentando que houve escárnio público contra evangélicos. Já Nogueira aponta possível enquadramento no artigo 208 do Código Penal, que prevê punição para quem escarnecer alguém por motivo de crença religiosa.

Alegoria de "famílias em lata de conserva" da Acadêmicos de Niterói gera reações de conservadores. (Foto: EFE/Antonio Lacerda)
Alegoria de "famílias em lata de conserva" da Acadêmicos de Niterói gera reações de conservadores. (Foto: EFE/Antonio Lacerda)
Além da esfera criminal, também foi apresentada representação na Justiça Eleitoral. Parlamentares questionam se o desfile — que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — teria ultrapassado o campo cultural para assumir caráter político-eleitoral, sobretudo por se tratar de evento com financiamento público.

Lideranças políticas e representantes religiosos classificaram a apresentação como desrespeitosa e afirmaram que a liberdade artística não pode servir de justificativa para ataques a valores e crenças de milhões de brasileiros.


Antes do desfile, tentativas de barrar a homenagem foram rejeitadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Agora, caberá à PGR avaliar se há elementos para abertura de investigação.

O episódio reacende o debate sobre os limites entre crítica política, manifestação artística e respeito à liberdade religiosa em eventos financiados com recursos públicos.


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