Endividamento das famílias atinge 79,5% em janeiro e iguala recorde histórico, aponta CNC
- Renalice Silva

- 25 de fev.
- 2 min de leitura
O percentual de famílias brasileiras endividadas voltou a atingir 79,5% em janeiro de 2026, igualando o maior nível da série histórica, registrado anteriormente em outubro de 2025. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Em comparação com janeiro de 2025, quando o índice era de 76,1%, houve aumento de 3,4 pontos percentuais. O levantamento considera como endividadas as famílias que possuem contas ou compromissos financeiros a vencer, como cartão de crédito, cheque especial, carnês, crédito consignado, empréstimos pessoais e financiamentos.
Apesar do nível recorde de endividamento, a inadimplência apresentou leve recuo. O percentual de famílias com dívidas em atraso caiu para 29,3%, a menor taxa desde abril de 2025. Já o índice de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas ficou em 12,7%, mesmo patamar registrado no mesmo período do ano passado.
Percepção de endividamento aumenta
A pesquisa também revelou piora na percepção dos consumidores em relação à própria situação financeira. Em janeiro, 16,1% dos entrevistados declararam estar muito endividados, ante 15,7% em dezembro. O grupo que se considera “mais ou menos endividado” passou de 30,4% para 30,9%.
Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o elevado endividamento não seria necessariamente um problema caso estivesse associado à expansão do consumo. No entanto, ele avalia que parte significativa do crédito tem sido utilizada para reorganizar o orçamento doméstico.
“O que preocupa é que muitas famílias estão recorrendo a recursos de terceiros para fechar as contas, o que pode levar ao aumento da inadimplência”, afirmou.
Comprometimento da renda cresce
O comprometimento médio da renda com dívidas subiu para 29,7% em janeiro, maior nível desde maio de 2025. De acordo com a CNC, 19,5% das famílias afirmam que mais da metade dos rendimentos mensais está comprometida com o pagamento de débitos.
A maioria das famílias endividadas (56,2%) destina entre 11% e 50% da renda ao pagamento de compromissos financeiros.
Cartão de crédito lidera endividamento
O cartão de crédito permanece como a principal modalidade de endividamento, concentrando 85,4% das pendências. O cenário é agravado pelo elevado custo do crédito no país. Dados citados pela CNC indicam que a taxa média de juros para pessoa física alcançou 60,1% ao ano em dezembro, refletindo o impacto da Selic, atualmente em 15% ao ano.
A expectativa do mercado é de início gradual de cortes na taxa básica de juros a partir de março, mas especialistas avaliam que os efeitos sobre o consumidor devem demorar alguns meses para serem sentidos.
Baixa renda concentra maior dificuldade
O levantamento aponta que as famílias com renda de até três salários mínimos são as mais afetadas. Nesse grupo, 18,9% afirmam não ter condições de pagar as dívidas. Já entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos, o percentual é de 4,9%.
Os dados reforçam o cenário de pressão sobre o orçamento doméstico e indicam que, embora a inadimplência esteja controlada no curto prazo, o alto nível de endividamento e o custo elevado do crédito continuam sendo fatores de atenção para a economia em 2026.












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