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Do coração da floresta ao mercado internacional: família transforma café em símbolo de sustentabilidade no Acre

Produção dentro da Reserva Chico Mendes alia preservação ambiental, renda e tradição familiar, impulsionando nova realidade no campo

Foto: Alice Leão/Secom
Foto: Alice Leão/Secom
No interior da Reserva Extrativista Chico Mendes, uma história de superação e conexão com a natureza vem ganhando destaque. A aposta no cultivo de café transformou a vida do casal Keyti Kety Souza e Jorge Souza, que hoje colhem resultados de uma produção sustentável enraizada na floresta amazônica.

A mudança começou durante a pandemia da COVID-19, quando a família decidiu deixar a cidade e retornar às origens, na reserva onde Jorge foi criado. O que inicialmente parecia um recomeço incerto acabou se tornando uma oportunidade: o cultivo de café.


“Foi uma surpresa para todos. Nunca imaginávamos seguir esse caminho, mas encontramos no café uma nova forma de viver e produzir”, relembra Keyti.


Hoje, a marca da família, Raízes da Floresta, representa não apenas um produto, mas um conceito: produzir respeitando o meio ambiente. Todo o cultivo é feito em áreas já desmatadas, sem derrubar novas árvores, mantendo a floresta intacta ao redor da plantação.


“O limite da nossa produção é a própria mata. Não derrubamos nenhuma árvore para plantar”, destaca Jorge.


A produção segue os princípios da sustentabilidade, desde o plantio até a colheita, garantindo equilíbrio ambiental e qualidade do produto. O café, do tipo robusta amazônico, já conquistou mercados fora do Acre e até do Brasil, chegando a países como Estados Unidos e China.


O crescimento da cafeicultura no estado tem sido impulsionado por políticas públicas. O governador Gladson Cameli destaca que o setor se consolidou como uma das principais forças econômicas locais.


“O café cresce de forma exponencial e mostra a capacidade dos nossos produtores. Estamos fortalecendo essa cadeia desde a base, com incentivo e apoio técnico”, afirmou.

Por meio da Secretaria de Estado de Agricultura do Acre (Seagri), o governo forneceu mudas, assistência técnica, insumos e até equipamentos modernos, como uma máquina secadora, que reduziu o tempo de processamento dos grãos para apenas dois dias.


Segundo a secretária Temyllis Silva, é possível conciliar produção e preservação ambiental. “Trabalhamos para garantir que o produtor utilize sua terra de forma sustentável, respeitando a legislação e mantendo a floresta em pé”, explicou.


A trajetória da família ganhou ainda mais visibilidade após participação em eventos como a Semana Internacional do Café, em Minas Gerais, e missões internacionais com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que levaram o produto até a Europa.


Mais do que uma fonte de renda, o café se tornou símbolo de pertencimento, resistência e futuro para quem vive na floresta. A experiência mostra que é possível gerar desenvolvimento econômico sem abrir mão da preservação ambiental — um modelo que ganha força no Acre e inspira novas gerações no campo.


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