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DESTRUIÇÃO SEM PRECEDENTES: Furacão Melissa devasta o Caribe, deixa ao menos 30 mortos e prejuízo bilionário

O furacão Melissa, considerado um dos mais devastadores já registrados no Atlântico em mais de um século, deixou ao menos 30 mortos e um rastro de destruição em quatro países do Caribe — Jamaica, Cuba, República Dominicana e Haiti, que concentra o maior número de vítimas. As perdas econômicas são estimadas em US$ 8 bilhões, segundo o centro de análise de desastres Enki Research.



Destruição na Jamaica

Imagens aéreas mostram comunidades inteiras submersas e vilarejos arrasados pela força dos ventos, que chegaram a quase 300 km/h. Na cidade costeira de Black River, no oeste jamaicano, praticamente nenhuma casa resistiu.


Reprodução/AFP
Reprodução/AFP

— A cidade inteira de Black River está devastada. Essa destruição é tão catastrófica que o primeiro-ministro classificou esta área como o epicentro do desastre — afirmou o prefeito Richard Solomon ao jornal The Guardian.

Segundo o Ministério da Infraestrutura, 130 estradas estão bloqueadas e 25 mil turistas permanecem presos no país. Aeroportos começam a retomar operações, e voos humanitários foram anunciados pelo Reino Unido para repatriar cidadãos.


— Acho que a Jamaica inteira está realmente arrasada por causa do que aconteceu — declarou a ministra da Informação, Dana Morris Dixon. — Mas continuamos resilientes.

Moradores relataram cenas desesperadoras.


— Em determinado momento, vejo a água na minha cintura e, depois de cerca de dez minutos, ela está no meu pescoço — contou Alfred Hynes, de Montego Bay, à agência Reuters.

O ministro do Governo Local, Desmond McKenzie, informou que o número de mortos ainda pode aumentar. “Há áreas isoladas e sem comunicação; é impossível atualizar o balanço com precisão neste momento”, disse.


Cuba em estado de emergência

Em Cuba, o governo retirou 735 mil pessoas das áreas de risco nas províncias de Santiago de Cuba, Holguín e Guantánamo. O presidente Miguel Díaz-Canel relatou “danos consideráveis” e destruição de moradias.


Em uma ação rara de cooperação entre Washington e Havana, o Departamento de Estado dos EUA, chefiado por Marco Rubio, afirmou estar pronto para enviar ajuda humanitária à ilha. O vice-chanceler cubano, Carlos Fernández de Cossio, confirmou contato com diplomatas americanos.


A Marinha dos EUA também informou que o furacão danificou estruturas da Base Naval de Guantánamo, incluindo a torre de controle da pista de pouso.


Tragédia e colapso no Haiti

O Haiti registrou 25 mortes, incluindo 10 crianças, além de 12 desaparecidos. Em Petit-Goave, a 60 km de Porto Príncipe, o transbordamento de um rio destruiu mais de mil casas e deixou 12 mil pessoas desabrigadas.


O país, mergulhado em crise política e guerra de gangues, enfrenta dificuldades para receber ajuda humanitária.


— Se o furacão vier e agravar todos os problemas que já temos, simplesmente morreremos — disse Fortune Vital, morador de Les Cayes, à Reuters.

Impacto humanitário sem precedentes

O Unicef estima que 700 mil crianças foram afetadas no Caribe. A agência das Nações Unidas afirmou que está enviando suprimentos emergenciais para Jamaica, Cuba e Haiti.


“Essas crianças precisam urgentemente de alimentos, água potável, saneamento básico e um caminho de volta à educação”, declarou Roberto Benes, diretor regional do Unicef.

Tempestade segue para as Bermudas

De acordo com o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC), o Melissa deve atingir as Ilhas Bermudas na noite desta quinta-feira (30), já rebaixado para categoria 2, com ventos de até 165 km/h. A previsão é de “rápida deterioração” das condições climáticas na região.


O furacão Melissa entra para a história como a “tormenta do século”, segundo meteorologistas, pela intensidade e duração, reforçando o alerta sobre o impacto das mudanças climáticas no aumento da frequência e força desses fenômenos no Atlântico.

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