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Desmatamento já muda o clima da Amazônia e deixa regiões até 3 °C mais quentes, revela estudo

Pesquisa mostra queda de chuvas, ar mais seco e alerta para risco de incêndios e prejuízos à agricultura

Foto: Michael Dantas / AFP via Getty Images
Foto: Michael Dantas / AFP via Getty Images
O avanço do desmatamento na Amazônia já está provocando mudanças climáticas significativas em diversas regiões da floresta. Um estudo baseado em dados de satélite, publicado na revista científica Communications Earth & Environment, aponta que áreas com menos de 60% de cobertura florestal apresentam temperaturas até 3 °C mais altas durante a estação seca, além de um ambiente mais seco e com menos chuvas.

De acordo com a pesquisa, essas regiões desmatadas registram uma redução média de 12% na evapotranspiração — processo essencial para a formação de nuvens — e uma queda de 25% no volume de chuvas.


Os cientistas também identificaram 11 dias a menos de precipitação por ano, indicando que as alterações afetam não apenas a quantidade, mas também a distribuição das chuvas ao longo do ano.


Os dados mostram que áreas fortemente desmatadas passam a apresentar um clima semelhante ao das zonas de transição entre floresta e savana, caracterizado por temperaturas mais elevadas e menor umidade. Esse cenário favorece a degradação ambiental, aumenta a ocorrência de incêndios florestais e compromete a resiliência dos ecossistemas amazônicos.


Para o pesquisador Luiz Aragão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os resultados reforçam que a preservação da floresta é essencial não apenas para o equilíbrio climático regional, mas também para atividades econômicas estratégicas, como a agricultura e a segurança hídrica.


O estudo destaca ainda a importância do cumprimento do Código Florestal, que determina a manutenção de 80% de cobertura vegetal nas propriedades localizadas na Amazônia.

Levantamentos do MapBiomas indicam que a Amazônia perdeu cerca de 13% da vegetação nativa entre 1985 e 2024, o equivalente a aproximadamente 520 mil quilômetros quadrados. Somente em 2024, mais de 6,3 mil km² de floresta foram desmatados.


Segundo os pesquisadores, conter o desmatamento e recuperar áreas degradadas é uma medida urgente para reduzir os impactos do aquecimento global, evitar a savanização da Amazônia e garantir o equilíbrio climático fundamental para o Brasil e o planeta.


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