Demissão sem diálogo expõe estilo de gestão e gera desconforto no governo do Acre
- Renalice Silva

- 8 de abr.
- 2 min de leitura
A recente exoneração de Márdhia El-Shawwa Pereira do comando da Secretaria de Estado da Mulher do Acre trouxe à tona mais do que uma simples mudança administrativa. O que tem chamado atenção nos bastidores políticos não é a decisão em si, mas a forma como ela foi conduzida pela governadora Mailza Cameli.

De acordo com relatos, Márdhia foi convocada ao gabinete, mas não foi recebida diretamente pela chefe do Executivo. A comunicação da demissão teria sido feita por um intermediário, Jonathan Santiago, chefe de gabinete da governadora Mailza Assis (Progressistas). Um gesto que, na prática, foi interpretado como frio e pouco cuidadoso, especialmente diante da relevância do cargo e da trajetória da agora ex-secretária.
O episódio contrasta com o momento de sua posse, ainda sob o governo de Gladson Cameli. Márdhia El-Shawwa Pereira estava no cargo desde março de 2023, quando a pasta foi recriada e apresentada como prioridade estratégica no enfrentamento à violência contra a mulher e na ampliação de políticas públicas voltadas ao público feminino.

Nos bastidores, a avaliação é de que a condução do desligamento revela um estilo de gestão mais distante e pouco aberto ao diálogo direto em momentos delicados. Em cargos de alto escalão, onde decisões têm peso político e simbólico, a forma como são executadas costuma ter impacto tão relevante quanto o conteúdo em si.
A ausência de uma conversa direta entre governadora e secretária também levanta questionamentos sobre a condução interna do governo e a relação com sua equipe. Para aliados e observadores, esse tipo de postura pode gerar ruídos, insegurança e até desgaste dentro da própria estrutura administrativa.
Outro ponto que chama atenção é o simbolismo do caso. A Secretaria da Mulher, criada com o discurso de valorização e fortalecimento das políticas voltadas às acreanas, passa por uma troca marcada por um episódio que, para muitos, careceu de sensibilidade política.
A exoneração não está sendo contestada, mudanças de equipe fazem parte da dinâmica de qualquer governo. O que entra no debate é o modo como ela aconteceu. Em política, forma e conteúdo caminham juntos, e, neste caso, o gesto acabou falando mais alto que a própria decisão.












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