Anvisa aprova uso do Mounjaro para crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 no Brasil
- Renalice Silva

- 22 de abr.
- 2 min de leitura
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, nesta quarta-feira (22), o uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos. Até então, a medicação era indicada apenas para adultos.

Com a decisão, o Mounjaro se torna o primeiro e único fármaco da classe dos agonistas dos receptores GIP/GLP-1 autorizado para uso pediátrico no país. A ampliação é vista como um avanço no enfrentamento da doença, que tem crescido de forma preocupante entre jovens brasileiros.
Especialistas alertam que o diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes costuma evoluir mais rapidamente do que em adultos, o que dificulta o controle da glicemia e aumenta o risco de complicações. Nesse cenário, novas opções terapêuticas são consideradas essenciais.
Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes indicam que cerca de 213 mil adolescentes convivem com a doença no Brasil, enquanto outros 1,46 milhão apresentam quadro de pré-diabetes. O aumento está diretamente ligado ao avanço da obesidade infantil — atualmente, um em cada três adolescentes tem excesso de peso.
A aprovação do medicamento foi baseada em estudo clínico publicado na revista The Lancet em 2025. Os resultados mostraram redução significativa da hemoglobina glicada — indicador fundamental no controle do diabetes — após 30 semanas de tratamento. Na dose de 10 mg, 86,1% dos participantes atingiram níveis considerados adequados.
Além do controle glicêmico, o estudo também apontou redução média de 11,2% no índice de massa corporal (IMC), com efeitos mantidos ao longo de 52 semanas.
Os efeitos colaterais mais comuns foram gastrointestinais, como náuseas, diarreia e dor abdominal, geralmente de intensidade leve a moderada e concentrados no início do tratamento.
Em nota, a Anvisa destacou que a mudança se refere exclusivamente à ampliação do público-alvo para o tratamento do diabetes tipo 2, mantendo as demais indicações do medicamento restritas ao uso adulto.
A agência também informou que discute novas regras para a manipulação e uso de medicamentos dessa classe, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, dentro de um plano mais amplo de regulação e segurança para pacientes.












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