Trump fala em “nacionalizar” eleições e provoca reação contra possível ataque à Constituição dos EUA
Presidente questiona papel dos estados na organização do voto e une republicanos e democratas contra proposta considerada ilegal.

Às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump voltou a causar polêmica ao sugerir que o governo federal assuma o controle da organização e da supervisão das eleições americanas — uma atribuição historicamente delegada aos estados pela Constituição do país.
Nos últimos dias, Trump tem defendido publicamente a ideia de “nacionalizar” o sistema eleitoral, alegando, sem apresentar provas, a existência de fraudes e afirmando que estados governados por democratas permitiriam o voto de imigrantes sem documentação.
“Se não os expulsarmos, os republicanos nunca mais ganharão uma eleição. Deveríamos assumir o controle da votação em pelo menos 15 locais. Os republicanos deveriam nacionalizar o sistema eleitoral”, declarou o presidente, sem especificar quais seriam esses estados ou cidades.
A fala foi interpretada como um recado direto a governos estaduais comandados pela oposição democrata, especialmente aqueles que já enfrentam embates com a Casa Branca sobre políticas migratórias. Em alguns desses estados, o governo federal chegou a enviar, por iniciativa própria, agentes de imigração e forças de segurança, ampliando o clima de tensão institucional.
Especialistas e líderes políticos apontam que a proposta de Trump não tem respaldo legal e contraria o modelo de federalismo previsto na Constituição americana, que garante aos estados a responsabilidade pela condução das eleições, cabendo ao governo federal apenas funções limitadas de fiscalização e garantia de direitos.
A repercussão foi imediata até dentro do Partido Republicano. Os presidentes da Câmara dos Representantes e do Senado, Mike Johnson e John Thune, respectivamente, rejeitaram publicamente qualquer possibilidade de federalização do processo eleitoral, sinalizando desconforto com a retórica do presidente.
Entre os democratas, a reação foi ainda mais dura. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, classificou a declaração como absurda. “Será que Donald Trump precisa de uma cópia da Constituição? O que ele está dizendo é flagrantemente ilegal”, afirmou.
A nova ofensiva retórica de Trump ocorre em um momento de preocupação para os republicanos. Pesquisas de opinião indicam que o partido corre risco de perder o controle da Câmara e do Senado nas eleições legislativas de novembro, cenário que pode enfraquecer ainda mais a base política do presidente.
Enquanto isso, a defesa da “nacionalização” das eleições amplia o debate sobre os limites do poder presidencial e reacende alertas sobre possíveis ameaças ao equilíbrio institucional e à autonomia dos estados nos Estados Unidos.














Comentários