TRE-AC barra candidatura de Gladson Camelí ao Senado; defesa prepara recurso
Ex-governador teve registro negado por unanimidade após tribunal eleitoral reconhecer hipótese de inelegibilidade relacionada à condenação criminal pelo STJ

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) decidiu nesta sexta-feira (11) pelo indeferimento do registro de candidatura de Gladson Camelí (PP) ao Senado Federal. A decisão foi tomada por unanimidade durante sessão da Corte e representa, neste momento, um obstáculo à tentativa do ex-governador de disputar uma das vagas do Acre no Senado. A defesa informou que vai recorrer da decisão.
O julgamento teve origem em uma ação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que contestou a candidatura com base na condenação criminal de Gladson pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Para o Ministério Público, a condenação por um órgão colegiado enquadra o ex-governador nas regras de inelegibilidade previstas na Lei da Ficha Limpa.

Gladson foi condenado pelo STJ a mais de 25 anos de prisão por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. A sentença foi estabelecida em regime inicial fechado.
Durante a sessão do TRE-AC, a defesa tentou afastar a aplicação da inelegibilidade. Os advogados Armando Dantas e Erick Venâncio argumentaram que a condenação ainda pode ser questionada em outras instâncias e lembraram que parte das provas relacionadas à Operação Ptolomeu foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A defesa também sustentou que não seria possível considerar a condenação suficiente para impedir imediatamente a candidatura e pediu que o registro fosse autorizado pela Justiça Eleitoral.
O relator do processo, jurista Thalles Sales, apresentou entendimento contrário. Segundo ele, a condenação foi proferida pelo STJ em razão do foro por prerrogativa de função que Gladson possuía quando ocupava o cargo de governador do Acre.
O relator também considerou que a Justiça Eleitoral não precisa aguardar o encerramento definitivo do processo criminal para analisar a hipótese de inelegibilidade, já que a condenação foi determinada por órgão colegiado.
Os demais integrantes do TRE-AC acompanharam o voto do relator, e o pedido de registro acabou rejeitado de forma unânime.
Defesa pretende levar caso ao TSE
Com a decisão do tribunal acreano, a defesa de Gladson deverá apresentar recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Até que haja uma decisão definitiva, o caso poderá tramitar na condição de candidatura sub judice. Isso significa que o candidato pode continuar no processo eleitoral enquanto a Justiça analisa os recursos, mas a validade da candidatura dependerá do resultado final do julgamento.
O TRE-AC também estabeleceu prazo de dez dias para que a coligação Avança Acre possa apresentar eventual substituto para a candidatura ao Senado.
Entenda a condenação
A condenação que motivou a impugnação eleitoral está relacionada a investigações da Operação Ptolomeu.
O processo passou por questionamentos no STF, que determinou a retirada de parte das provas utilizadas na investigação. Mesmo após essa decisão, a Corte Especial do STJ concluiu que ainda havia elementos suficientes para sustentar a condenação de Gladson.
A defesa, no entanto, continua contestando aspectos do processo e sustenta que as decisões judiciais anteriores ainda podem ser revistas.
Gladson deixou o governo para disputar o Senado
Gladson Camelí renunciou ao cargo de governador do Acre em 2 de abril de 2026 para entrar na disputa por uma vaga no Senado. Com a saída, a então vice-governadora Mailza Assis assumiu o comando do Estado.
A candidatura de Gladson foi posteriormente confirmada pelo Progressistas durante a convenção partidária.
Agora, a continuidade da candidatura dependerá da análise dos recursos apresentados pela defesa nas instâncias superiores da Justiça Eleitoral.









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