Transporte público vive dias de caos em capitais do Norte do Brasil
Greve de rodoviários interrompe circulação de ônibus na capital amazonense, enquanto passageiros de Rio Branco seguem enfrentando atrasos, superlotação e frota reduzida

O transporte coletivo de Manaus voltou a operar parcialmente nesta terça-feira (21), após a paralisação total dos ônibus registrada na tarde de segunda-feira (20).
A greve foi motivada pelo atraso no pagamento dos salários dos rodoviários e evidenciou uma crise que também preocupa outras capitais da Região Norte, entre elas Rio Branco, onde o sistema enfrenta problemas recorrentes.
De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), cerca de 80% da frota voltou a circular durante a madrugada.
A retomada ocorreu após decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que determinou a circulação de 80% dos ônibus nos horários de maior movimento e de 50% nos demais períodos. O descumprimento da medida prevê multa de R$ 120 mil por hora.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a paralisação ocorreu porque as empresas não cumpriram uma decisão judicial que determinava o pagamento de 40% dos salários até o dia 20 de cada mês e dos 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte.
A greve afetou aproximadamente 350 mil passageiros. Ainda na noite de segunda-feira, parte da frota foi liberada para reduzir os impactos à população, mas a mobilização dos trabalhadores foi mantida em defesa do pagamento dos salários.
Ao mesmo tempo, o TRT-11 concedeu uma liminar em dissídio coletivo reconhecendo, em análise inicial, o caráter abusivo da paralisação.
Rio Branco também enfrenta dificuldades
Na capital acreana, o transporte coletivo segue enfrentando uma série de problemas que impactam diretamente a rotina da população. A redução da frota, os atrasos constantes, a superlotação dos ônibus e a dependência de subsídios públicos têm colocado em dúvida a estabilidade do sistema.
Nos últimos meses, a situação foi agravada pela apreensão judicial de veículos da empresa Ricco Transportes, além da necessidade de utilizar vans e táxis de forma emergencial para atender parte da demanda.
Os transtornos prejudicaram o deslocamento de trabalhadores, pacientes e estudantes. Em um dos momentos mais críticos da crise, a Universidade Federal do Acre (Ufac) chegou a suspender temporariamente as aulas presenciais devido às dificuldades de acesso ao campus.
Apesar de terem origens diferentes, os problemas enfrentados em Manaus e Rio Branco revelam os desafios do transporte coletivo na Região Norte. O aumento dos custos operacionais, a redução no número de passageiros e as dificuldades financeiras das empresas têm comprometido a oferta de um serviço eficiente e regular para a população.














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