Tragédia sem fim: mais uma criança morre em meio ao caos e descaso na saúde pública do Acre; Papo de Rocha
Mais uma criança morta, mais uma vítima do descaso criminoso com a saúde pública no Acre. E é bom deixar claro: não é um caso isolado. Longe disso.
Há pouco tempo, um recém-nascido foi queimado dentro de uma maternidade pública. Só depois da repercussão nas redes sociais o governo resolveu agir, mandou a vítima para Belo Horizonte, como se a transferência fosse prova de eficiência. Mas, chegando lá, o bebê e a família foram simplesmente abandonados, obrigados a bancar do próprio bolso as despesas geradas pela negligência ou imperícia do Estado.

Antes disso, tivemos as mortes do pequeno Théo e de outras crianças que não conseguiram uma vaga de UTI. A tragédia se repete, e a cada novo caso, a reação é a mesma: discursos vazios, notas oficiais mentirosas e uma enxurrada de promessas que nunca saem do papel.
A verdade é dura, mas precisa ser dita: a saúde pública virou um negócio lucrativo para os espertalhões de plantão. Gente que enxerga nos cofres públicos uma mina de ouro, pouco se importando com as vidas que se perdem nos corredores dos hospitais. No Acre, o cenário é ainda mais vergonhoso. Aqui, o cinismo é regra, não exceção.
Quer um exemplo? O contrato milionário com a MedTrauma. Por que o Estado abriu mão de usar recursos da União para bancar esse acordo? Vivemos em um estado pobre, dependente de repasses federais, atolado em dívidas e pedindo mais um empréstimo de R$ 280 milhões, que se soma aos mais de R$ 3 bilhões já contraídos. A conta não fecha.
Para quem tem coragem de enxergar, a explicação é óbvia: medo da fiscalização federal. Afinal, quando o dinheiro vem de Brasília, entram em cena a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a CGU e o TCU. E aí a farra acaba. Já os órgãos de controle estaduais... esses parecem estar em férias coletivas permanentes, cegos, surdos e mudos diante de tudo.
E o pior: os indícios de irregularidades não param por aí. Estão espalhados em contratos de segurança privada, manutenção de veículos, locação de aviões, serviços terceirizados e muito mais. A lista é longa e vergonhosa.
Depois de mais essa tragédia, o roteiro será o de sempre: uma “investigação” superficial, alguns funcionários de baixo escalão serão transformados em bodes expiatórios, e tudo terminará em uma bela cortina de fumaça. Os verdadeiros responsáveis, os que mandam, decidem e lucram, continuarão intocados, rindo da cara do povo.
Enquanto isso, mais pessoas morrem. Morrem no pronto-socorro, no Unacon, nos hospitais do interior e em postos de saúde caindo aos pedaços. Morrem por falta de leito, por falta de médico, por falta de vergonha na cara de quem governa.
A imprensa local, em boa parte, finge que não vê. Segue aquela velha máxima: “Pagando bem, que mal tem?”. De outro lado, uma parcela da população ainda acredita nas narrativas oficiais, nas notas mentirosas de autoridades que não têm moral alguma. Só acordam quando precisam do SUS e descobrem na pele o preço da omissão coletiva.
E ainda há os “passadores de pano profissionais”, prontos para defender o indefensável nas redes sociais em troca de alguns trocados ou um carguinho qualquer.
Enquanto isso, o Acre afunda cada vez mais na lama da corrupção, da incompetência e do descaso. E quem paga a conta, sempre é o povo, é a criança que morre, é a mãe que chora, é a família que sofre.















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