Socorro Neri é a única da bancada do Acre a não registrar voto em projeto que endurece combate às facções
- Renalice Silva

- 19 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
A votação do PL Antifacção na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (18), escancarou um contraste dentro da bancada federal do Acre. Enquanto sete dos oito parlamentares acreanos se posicionaram claramente a favor do texto — que endurece punições e reorganiza o enfrentamento ao crime organizado no país — a deputada Socorro Neri (PP) foi a única que não registrou voto, destoando completamente da postura firme adotada pelos demais representantes do estado.

O projeto, que recebeu 370 votos favoráveis e 110 contrários, foi apresentado inicialmente pelo governo Lula, mas sofreu mudanças profundas sob a relatoria do deputado Guilherme Derrite (PP-SP). Mesmo entre pressões políticas e críticas de setores da esquerda ao novo texto, a bancada acreana mostrou alinhamento quase total ao endurecimento das regras.
Antônia Lúcia, Coronel Ulysses, Eduardo Velloso, Meire Serafim, Roberto Duarte, Zé Adriano e Zezinho Barbary votaram “sim”, deixando o Acre entre os estados de maior unificação em apoio ao projeto.

A postura de Socorro Neri, no entanto, chamou atenção. Em uma votação considerada crucial para o combate às facções — tema sensível no Acre, onde disputas entre organizações criminosas impactam diretamente segurança pública, rotinas de bairros e a sensação de medo da população — sua ausência no painel acabou repercutindo negativamente entre aliados e adversários.
Especialistas em política avaliam que, embora ausências aconteçam por diversos motivos, deixar de registrar voto em um projeto de grande relevância nacional e forte impacto local tende a gerar questionamentos sobre posicionamento, articulação e responsabilidade parlamentar. Nos bastidores, líderes partidários demonstraram surpresa, já que o PP, sigla da qual Neri faz parte, votou majoritariamente a favor do texto: foram 47 votos “sim” e apenas um contrário.
O PL Antifacção altera profundamente o sistema penal ao elevar penas, criar novos tipos criminais, restringir progressões e impor regras especiais para líderes de organizações criminosas. Entre as medidas, há previsão de penas que podem chegar a 40 anos de prisão para crimes ligados a facções.
Em um momento em que o debate sobre segurança pública domina a agenda nacional, a ausência de voto da deputada reforça dúvidas sobre sua posição no tema e abre margem para críticas de que faltou compromisso em um dos debates mais relevantes do ano.














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