SOB HOLOFOTES DO POVO: Juíza da 2ª Vara da Fazenda Pública decidira futuro do transporte público de Rio Branco após MP revelar escândalo de quatro anos de irregularidades e pedir intervenção imediata
O futuro do transporte coletivo de Rio Branco entrou em uma fase decisiva. Após analisar a extensa Ação Popular que denuncia irregularidades na gestão do sistema de transporte público da capital.
O Ministério Público do Acre (MPAC) emitiu um parecer firme e contundente: recomenda a concessão da liminar que pode transformar completamente o modelo adotado pela Prefeitura e pela RBTRANS desde 2021.


Agora, a responsabilidade está nas mãos da juíza da 2ª Vara da Fazenda Pública, que decidirá se acolhe os pedidos que apontam falhas graves na condução do serviço. Para o MP, os indícios de ilegalidades são sólidos e exigem intervenção urgente do Judiciário.

O que está em jogo
A Ação Popular, apresentada, acusa o Município de Rio Branco de manter práticas que violam a legislação e colocam em risco o uso dos recursos públicos. Entre os pontos centrais:
Quatro anos de contratações emergenciais com a Ricco Transportes, todas fundamentadas na mesma “emergência”, apesar de a lei permitir esse tipo de contrato por no máximo um ano.
Ausência completa de licitação, mesmo após repetidas promessas públicas da gestão municipal.
Repasses milionários sem lastro técnico, sem estudo tarifário, sem transparência e sem demonstração da real estrutura de custos do sistema.
Ampliação do subsídio público, por meio da Lei Complementar 352/2025, sem publicação das análises de impacto financeiro exigidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Essas irregularidades são consideradas pelo MP como parte de um modelo que se arrasta há anos e carece de correção imediata.
O que a Ação pede — e o MP concorda
O Ministério Público conclui que a ação é legítima, bem fundamentada e evidencia problemas que perduram desde 2021.
O órgão recomenda que a magistrada determine:
1. Fim das prorrogações emergenciais
Suspensão imediata das renovações com a Ricco e publicação do edital de licitação em até 60 dias.
2. Repasses condicionados à transparência
Nenhum repasse público sem:
estudo tarifário publicado,
detalhamento da estrutura de custos,
matriz de desempenho operacional,
prestação de contas mensal auditável,
publicação de microdados,
conta vinculada específica para rastrear os pagamentos.
3. Transparência ativa imediata
Em 10 dias, a Prefeitura deve divulgar todos os contratos, aditivos, processos de dispensa, indicadores e pagamentos desde 2022.
4. Governança e plano de contingência
Nomeação formal de gestor e fiscal do contrato, além de um plano de contingência capaz de evitar colapso do sistema.
5. Multas e bloqueios
Caso haja descumprimento, o MP recomenda multas diárias e bloqueio parcial da conta vinculada, se necessário.
MP alerta: ilegalidades são continuadas e exigem intervenção
O parecer destaca que:
A mesma “emergência” foi usada durante quatro anos, prática condenada pelo Supremo Tribunal Federal.
O Município não realizou licitação, mesmo sendo obrigado por lei e por decisões judiciais anteriores.
Os repasses ao sistema ocorrem sem controle técnico mínimo, representando risco ao erário.
A falta de transparência viola os princípios básicos da Administração Pública.
Para o MP, a continuidade do modelo atual sem intervenção judicial representa ameaça à legalidade, ao patrimônio público e aos usuários do transporte coletivo.
Agora, a decisão é da Juíza
Com o parecer favorável do Ministério Público, a situação alcança um novo patamar. A juíza agora decidirá se rompe ou não o ciclo de contratações emergenciais e falta de transparência que domina o transporte público de Rio Branco desde 2021.
A decisão pode:
obrigar a Prefeitura a finalmente licitar o serviço,
impor controle rígido sobre os repasses,
abrir a “caixa-preta” do sistema,
redefinir o modelo do transporte coletivo para os próximos anos, da forma correta.
Enquanto isso, usuários, gestores públicos, operadores do sistema e a sociedade rio-branquense aguardam um desfecho que pode marcar um dos capítulos mais importantes da história recente do transporte coletivo da capital.
Com informações do Portal Noticias da Hora















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