Silêncio internacional diante de ataques de Trump ao Brasil preocupa analista
Christopher Sabatini, da Chatham House, afirma que crise pode se agravar e reforça percepção histórica da América Latina como “quintal dos EUA”

O pesquisador Christopher Sabatini, sênior do Programa América Latina, EUA e Américas da Chatham House, avaliou que a ausência de reação internacional aos recentes embates entre Brasil e Estados Unidos aumenta o risco de reforçar a percepção histórica da América Latina como área de influência norte-americana.
A crise foi desencadeada por medidas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que incluem aumento de tarifas sobre produtos brasileiros e sanções contra o Supremo Tribunal Federal.
Segundo Sabatini, nem países da União Europeia nem organismos multilaterais como a ONU ou a Organização dos Estados Americanos (OEA) se manifestaram contra as ações.
Para o analista, o silêncio internacional demonstra a capacidade de Washington de limitar a interferência externa na América do Sul, alinhada à Doutrina Monroe. Ele aponta que muitos governos evitam se posicionar por estarem envolvidos em disputas próprias com os EUA e que Trump tem promovido um cenário de isolamento diplomático entre países.
Sabatini destaca que o episódio ocorre com a maior economia da América Latina e não com um país de menor relevância econômica, o que reforça o peso político da medida. Ele acredita que o impacto econômico das tarifas poderá reduzir o apoio a Jair Bolsonaro e abrir espaço para novas lideranças no campo político, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Segundo o pesquisador, a pior crise nas relações bilaterais entre Brasil e EUA pode se intensificar nos próximos meses, especialmente com o julgamento de Bolsonaro no STF e as eleições presidenciais de 2026.
Ele avalia que novas sanções individuais contra integrantes do governo brasileiro são possíveis e que a solução mais viável para o impasse poderia vir do Congresso americano, caso senadores democratas limitem os poderes de Trump na condução da guerra comercial.














Comentários