Rússia tenta bloquear WhatsApp e amplia ofensiva contra aplicativos estrangeiros
Governo pressiona usuários a migrarem para plataforma estatal sem criptografia; bloqueio total pode ocorrer em 2026.

O WhatsApp afirmou na noite de quarta-feira (11) que o governo da Rússia “tentou bloquear completamente” o funcionamento do aplicativo no país. A declaração foi divulgada pela própria empresa, que pertence à Meta, em meio ao aumento das restrições impostas pelo Kremlin a plataformas de mensagens estrangeiras.
Segundo o comunicado, a tentativa de bloqueio faz parte de um esforço das autoridades russas para direcionar usuários a um aplicativo estatal chamado Max. “Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia”, afirmou a empresa.
O WhatsApp declarou ainda que continuará adotando medidas para manter os usuários conectados.
O aplicativo Max, desenvolvido pelo governo russo, tem sido comparado ao WeChat da China por concentrar serviços de mensagens e funcionalidades governamentais em uma única plataforma. Diferentemente do WhatsApp, porém, o Max não oferece criptografia de ponta a ponta.
Desde 2025, as autoridades exigem que o aplicativo seja pré-instalado em todos os novos dispositivos vendidos no país, e seu uso é obrigatório para funcionários públicos, professores e estudantes.
A agência estatal Tass informou que o WhatsApp poderá ser bloqueado permanentemente na Rússia em 2026. Andrei Svintsov, integrante do governo russo, declarou que “medidas tão drásticas” seriam “absolutamente justificadas”, citando o fato de a Rússia ter classificado a Meta como organização extremista em 2022.
Desde essa decisão, Instagram e Facebook foram bloqueados no país e só podem ser acessados por meio de redes virtuais privadas (VPNs).
As autoridades russas argumentam que tanto o WhatsApp quanto o Telegram descumprem a legislação local ao se recusarem a armazenar dados de usuários russos em servidores localizados no país. A agência reguladora Roskomnadzor já fez alertas reiterados às plataformas para que se adequem às exigências.
O Telegram também enfrenta restrições. Seu fundador, Pavel Durov, afirmou que o governo estaria limitando o acesso ao serviço para pressionar a população a migrar para a plataforma estatal, que, segundo ele, permitiria maior vigilância e controle político.














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