Repasse de R$ 100 mil para evento evangélico em Assis Brasil gera críticas de fazedores de cultura
Produtores apontam dificuldades de acesso a recursos culturais, enquanto governo diz que verba não saiu do orçamento da Fundação Elias Mansour

O repasse de R$ 100 mil da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) para a realização da Semana Evangélica 2025 em Assis Brasil, no interior do Acre, provocou reação entre artistas e produtores culturais do estado. O convênio, publicado no Diário Oficial na última terça-feira (16), destinou recursos para a prefeitura do município promover o evento, que terminou em 8 de setembro com a Marcha Para Jesus e show da banda gospel Som e Louvor.
Fazedores de cultura criticam a dificuldade recorrente de acesso a financiamento para atividades culturais e apontam disparidade no tratamento dado a eventos religiosos. “A gente vai até a Fundação de Cultura e nos dizem que não dá para apoiar, porque o que solicitamos não faz parte do plano orçamentário.
Nos orientam a planejar com um ano de antecedência para entrar no plano plurianual. E mesmo assim, dizem que só há recursos via editais, como os da PNAB”, afirmou a produtora cultural Mirna Rosário, integrante do grupo folclórico Jabuti Bumbá.
Segundo ela, a cena cultural acreana estaria sustentada, em grande parte, por recursos federais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). “Se não fosse a PNAB, como estaria a cena cultural acriana? Estaríamos vivendo uma inércia cultural total. O governo estadual não reconhece o fazer artístico como trabalho. Enquanto isso, recursos são liberados para eventos religiosos”, disse.
A FEM afirmou em nota que a verba não faz parte do orçamento da instituição e que apenas formalizou a transferência dos recursos, cuja origem estaria ligada à Casa Civil do governo. O presidente da fundação, Minoru Kinpara, reforçou que o apoio não compromete os repasses destinados à cultura. “O recurso não saiu do orçamento anual da Fundação de Cultura Elias Mansour.
O Governo do Acre apoia, dentro do possível, todas as manifestações culturais de todas as religiões e, também, manifestações culturais não religiosas como o carnaval”, declarou.
Já a Secretaria de Estado de Comunicação informou que a verba foi viabilizada pela Secretaria de Estado de Planejamento (SEPLAN), após solicitação do prefeito de Assis Brasil. O processo, segundo a pasta, contou com acompanhamento da Casa Civil, que encaminhou a demanda para a FEM.
A controvérsia, segundo os artistas, não está ligada à natureza religiosa do evento, mas à priorização e à facilidade de acesso ao recurso público. “Não se trata de ser contra manifestações religiosas. A questão é: por que para a cultura tudo é burocrático, travado, cheio de desculpas, enquanto um evento evangélico consegue R$ 100 mil com tanta facilidade?”, questionou Mirna.














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