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Relatora do STJ vota por condenação de Gladson Cameli a 25 anos de prisão e perda imediata do cargo: Julgamento volta em 2026

17 de dez. de 2025
3 min de leitura

Atualizado: 18 de dez. de 2025

A ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), votou nesta quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, pela condenação do governador do Acre, Gladson Cameli (PP), a 25 anos e 5 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação. A relatora também defendeu a perda imediata do mandato de governador.


O julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro João Otávio Noronha, o que adia a conclusão do caso para 2026. Com isso, existe a possibilidade de que Cameli não esteja mais no cargo quando o processo voltar à pauta, já que ele deve deixar o governo no fim de março para disputar uma vaga ao Senado pelo Acre.


No tribunal desde 1999, Nancy Andrighi julga atualmente na Corte Especial, na Segunda Seção e na Terceira Turma. | Foto: Gustavo Lima / STJ
No tribunal desde 1999, Nancy Andrighi julga atualmente na Corte Especial, na Segunda Seção e na Terceira Turma. | Foto: Gustavo Lima / STJ

No voto, Nancy Andrighi afirmou que Gladson Cameli chefiou uma organização criminosa responsável por desviar recursos públicos por meio do superfaturamento de contratos firmados sem licitação. Segundo a relatora, duas construtoras foram utilizadas no esquema, com destaque para a empresa Murano, que mantinha ligação indireta com familiares do governador.


De acordo com a ministra, dos R$ 17 milhões pagos à Murano, cerca de R$ 11 milhões teriam sido destinados a serviços estranhos ao objeto contratado. Para ela, o esquema violou princípios básicos da administração pública, como economicidade e isonomia. A relatora afirmou ainda que Cameli indicava pessoas de sua confiança para cargos estratégicos, garantindo a aprovação de obras e reformas mesmo diante de irregularidades.


Durante a análise das provas, Nancy Andrighi citou a existência de planilhas e comprovantes de transferências bancárias relacionadas à compra de um apartamento, apontando indícios de lavagem de dinheiro. A investigação também identificou que uma das empresas subcontratadas, a Rio Negro Construções, tinha como sócio Gledson Cameli, irmão do governador.


Gladson Cameli tornou-se réu no STJ em 15 de maio de 2024, após o tribunal aceitar denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Em depoimento prestado em 5 de novembro de 2024, o governador negou todas as acusações e afirmou ser alvo de perseguição política.


Com o pedido de vista, o julgamento ficará suspenso durante o recesso do Judiciário, que começa em 20 de dezembro. O prazo para devolução do processo é de 60 dias, prorrogáveis por mais 30, o que pode levar a retomada da análise para o final do primeiro trimestre de 2026.


Mesmo permanecendo no cargo, Gladson Cameli cumpre medidas cautelares impostas pela Justiça, como a proibição de contato com testemunhas e outros investigados, a restrição de saída do país, a entrega do passaporte e o bloqueio de bens e valores.

A defesa do governador criticou duramente a condução do processo, alegando falta de acesso a todas as provas, especialmente relatórios de inteligência financeira do Coaf. Um recurso apresentado ao STF foi acolhido pelo ministro Gilmar Mendes, que determinou o envio completo dos documentos à defesa antes da retomada do julgamento no STJ.


Segundo a PGR, o esquema criminoso teve início em 2019, com a adesão da Secretaria de Infraestrutura do Acre a uma ata de registro de preços vencida, pertencente à empresa Murano, que não possuía estrutura no estado. A empresa teria sido usada para executar grandes obras rodoviárias por meio de subcontratações, beneficiando familiares do governador, o que é vedado por lei.


O caso segue em análise no Superior Tribunal de Justiça e ainda não há data definida para a conclusão do julgamento.

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