Relatora do STJ vota por condenação de Gladson Cameli a 25 anos de prisão e perda imediata do cargo: Julgamento volta em 2026
Atualizado: 18 de dez. de 2025
A ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), votou nesta quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, pela condenação do governador do Acre, Gladson Cameli (PP), a 25 anos e 5 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação. A relatora também defendeu a perda imediata do mandato de governador.
O julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro João Otávio Noronha, o que adia a conclusão do caso para 2026. Com isso, existe a possibilidade de que Cameli não esteja mais no cargo quando o processo voltar à pauta, já que ele deve deixar o governo no fim de março para disputar uma vaga ao Senado pelo Acre.

No voto, Nancy Andrighi afirmou que Gladson Cameli chefiou uma organização criminosa responsável por desviar recursos públicos por meio do superfaturamento de contratos firmados sem licitação. Segundo a relatora, duas construtoras foram utilizadas no esquema, com destaque para a empresa Murano, que mantinha ligação indireta com familiares do governador.
De acordo com a ministra, dos R$ 17 milhões pagos à Murano, cerca de R$ 11 milhões teriam sido destinados a serviços estranhos ao objeto contratado. Para ela, o esquema violou princípios básicos da administração pública, como economicidade e isonomia. A relatora afirmou ainda que Cameli indicava pessoas de sua confiança para cargos estratégicos, garantindo a aprovação de obras e reformas mesmo diante de irregularidades.
Durante a análise das provas, Nancy Andrighi citou a existência de planilhas e comprovantes de transferências bancárias relacionadas à compra de um apartamento, apontando indícios de lavagem de dinheiro. A investigação também identificou que uma das empresas subcontratadas, a Rio Negro Construções, tinha como sócio Gledson Cameli, irmão do governador.
Gladson Cameli tornou-se réu no STJ em 15 de maio de 2024, após o tribunal aceitar denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Em depoimento prestado em 5 de novembro de 2024, o governador negou todas as acusações e afirmou ser alvo de perseguição política.
Com o pedido de vista, o julgamento ficará suspenso durante o recesso do Judiciário, que começa em 20 de dezembro. O prazo para devolução do processo é de 60 dias, prorrogáveis por mais 30, o que pode levar a retomada da análise para o final do primeiro trimestre de 2026.
Mesmo permanecendo no cargo, Gladson Cameli cumpre medidas cautelares impostas pela Justiça, como a proibição de contato com testemunhas e outros investigados, a restrição de saída do país, a entrega do passaporte e o bloqueio de bens e valores.
A defesa do governador criticou duramente a condução do processo, alegando falta de acesso a todas as provas, especialmente relatórios de inteligência financeira do Coaf. Um recurso apresentado ao STF foi acolhido pelo ministro Gilmar Mendes, que determinou o envio completo dos documentos à defesa antes da retomada do julgamento no STJ.
Segundo a PGR, o esquema criminoso teve início em 2019, com a adesão da Secretaria de Infraestrutura do Acre a uma ata de registro de preços vencida, pertencente à empresa Murano, que não possuía estrutura no estado. A empresa teria sido usada para executar grandes obras rodoviárias por meio de subcontratações, beneficiando familiares do governador, o que é vedado por lei.
O caso segue em análise no Superior Tribunal de Justiça e ainda não há data definida para a conclusão do julgamento.















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