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REALIDADE VERGONHOSA DE RIO BRANCO: Mãe denuncia abandono do poder público na assistência à filha com paralisia cerebral.

27 de mar. de 2025
2 min de leitura

A jornalista e servidora pública Dryelem Alves denunciou, por meio das redes sociais, as dificuldades enfrentadas diariamente por sua filha, Laís Loren, de quatro anos, diagnosticada com paralisia cerebral. Entre os principais problemas estão a falta de infraestrutura na rua onde moram, a dificuldade de acesso às terapias essenciais e a ausência de suporte adequado do poder público.



Laís, que depende de cadeira de rodas, enfrenta obstáculos para ir à escola e realizar tratamentos terapêuticos. Nos períodos de chuva, a via onde a família reside fica intransitável, impossibilitando a locomoção da criança. Segundo Dryelem, mesmo após procurar a prefeitura, o Ministério Público e vereadores, nenhuma solução foi implementada. “No inverno dizem que não podem mexer na rua por conta da chuva. No verão, falam que a via está judicializada. E assim seguimos", relatou.

A mãe também denuncia que Laís pode perder a vaga nas terapias do SUS, oferecidas pelo Centro Especializado em Reabilitação (CER), devido às faltas ocasionadas pela dificuldade de transporte. Sem condições de receber um micro-ônibus adaptado ou transporte por aplicativo em casa, os dias chuvosos tornam inviável a chegada ao local de tratamento.


Além disso, a família sofre com a falta de saneamento básico, coleta de lixo, rede de esgoto e fornecimento regular de água. A água consumida vem de uma vizinha solidária que compartilha o recurso. O acesso a atendimento médico especializado também é um desafio. Laís foi encaminhada para um neuropediatra em Brasília, devido ao histórico de oito pneumonias em um ano, mas a especialidade não está disponível na rede pública local.


O pedido de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), que permitiria buscar atendimento em outro estado, foi negado.


A família ainda enfrenta dificuldades para obter fraldas especiais pelo SUS, já que o tamanho necessário não está disponível no sistema de saúde. Até mesmo a cadeira de rodas utilizada por Laís foi obtida por meio de doações.


“A maternidade atípica tem um preço alto de julgamentos e abandono, seja do poder público, de estranhos ou da própria família. É viver 'dando murro em ponta de faca' para garantir direitos que já são previstos em lei", desabafou Dryelem.

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