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Quando a pressão vinha de fora: esquerda celebrou interferência internacional durante governo Bolsonaro

5 de ago. de 2025
3 min de leitura

Hoje no poder, aliados de Lula criticam ações externas contra o Brasil; no passado, comemoraram pressão dos EUA e Europa sobre o governo Bolsonaro


As recentes críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de sua base aliada às articulações de parlamentares conservadores com os Estados Unidos contrastam com a postura adotada pela esquerda durante o governo Jair Bolsonaro (PL), quando ações externas contra o Brasil eram incentivadas ou celebradas por opositores.


No fim de julho, o ex-presidente Donald Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sancionou, com base na Lei Magnitsky, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As medidas geraram forte reação do Planalto, que acusou a direita de “trair a pátria” ao buscar apoio internacional para pressionar o governo e o Judiciário.



“O cara que vivia enrolado na bandeira nacional agora está pedindo para atacar o Brasil. É uma falta de vergonha, uma falta de caráter, uma falta de patriotismo”, disse Lula em discurso no Rio de Janeiro, em 28 de julho.

Pressão internacional no governo Bolsonaro: da Amazônia à pandemia

Durante o governo Bolsonaro, no entanto, o cenário foi outro. Ainda em 2019, oito meses após o início do mandato, o Palácio do Planalto passou a ser alvo de críticas de países europeus devido ao aumento do desmatamento na Amazônia. Alemanha e Noruega chegaram a suspender repasses ao Fundo Amazônia após discordarem da gestão ambiental brasileira.


Na ocasião, governadores de estados da Amazônia Legal, com apoio de parlamentares da esquerda, articularam encontros diretos com autoridades da Noruega, Alemanha, França e Reino Unido. O objetivo: manter recursos para projetos ambientais, à revelia do governo federal.


“Agora os governadores do Norte estão a fazer alianças diretas com a Alemanha e a Noruega para manter esses recursos e preservar a Amazônia”, disse à época o deputado Bohn Gass (PT-RS).

Esquerda buscou EUA e China para isolar Bolsonaro

Durante a pandemia de Covid-19, a atuação da oposição também incluiu articulações diplomáticas paralelas. Governadores e parlamentares passaram a negociar diretamente com a China para garantir vacinas e insumos hospitalares, contornando o Itamaraty.

O Consórcio Nordeste, liderado por Wellington Dias (PT-PI), então governador, abriu diálogo com embaixadas estrangeiras. Já João Doria (PSDB), em São Paulo, ativou um escritório do governo paulista em Xangai para viabilizar a CoronaVac, desenvolvida com a chinesa Sinovac.


No Congresso, deputados de partidos como PT, PCdoB e PSOL participaram de reuniões com o embaixador da China no Brasil para reforçar laços e acelerar a liberação de insumos.


“O apoio do povo chinês foi essencial. Buscamos ajuda onde o governo federal se omitiu”, declarou o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).

Apoiadores de Lula também buscaram apoio internacional na Lava Jato

Entre 2017 e 2020, a esquerda também articulou campanhas internacionais para denunciar a prisão do ex-presidente Lula e questionar a imparcialidade do Judiciário brasileiro. O advogado Cristiano Zanin, hoje ministro do STF, percorreu a Europa em encontros com juristas e parlamentares, afirmando que Lula era alvo de perseguição política.


A ofensiva incluiu denúncias na ONU, vídeos de apelo internacional — como o da senadora Gleisi Hoffmann à emissora Al Jazeera — e palestras feitas pela ex-presidente Dilma Rousseff no exterior.


“Diversos parlamentares, ONGs e empresários passaram quatro anos promovendo eventos internacionais para falar mal do Brasil”, lembrou o ex-ministro Ricardo Salles (PL-SP).

Em 2020, um manifesto assinado por representantes de mais de 40 países foi entregue ao STF, pedindo a anulação das sentenças da Lava Jato contra Lula.


Direita rebate acusações: “Não pedimos sanções econômicas”

Com a atual ofensiva diplomática envolvendo parlamentares como Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Luiz Phillipe de Orleans e Bragança (PL-SP), a esquerda passou a falar em “traição à soberania”. Os deputados, porém, afirmam que o foco era aplicar a Lei Magnitsky para denunciar abusos do Judiciário — e não provocar sanções econômicas ao país.


“Nossa prioridade era limitar abusos do Judiciário. A decisão por sanções foi exclusiva do governo americano”, afirmou Orleans e Bragança.

Segundo ele, as ações externas visam “ganhos políticos em meio ao que classificamos como regime autoritário no Brasil”.

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