Promessa que atravessa governos e nunca sai do papel: ponte em Rodrigues Alves expõe abandono histórico do Vale do Juruá
Atualizado: 9 de jan.
Mais de dez anos após ser anunciada por diferentes governos, a ponte sobre o Rio Juruá, em Rodrigues Alves, continua sem qualquer avanço concreto. A obra, apresentada ao longo do tempo como prioridade para o Vale do Juruá, permanece restrita a discursos, estudos e promessas, enquanto a população segue dependente de balsas para atravessar o rio.

A cobrança voltou a ganhar força nesta terça-feira (6), quando o Movimento Social Pró-Ponte do Vale do Juruá divulgou uma nota de repúdio direcionada ao Governo do Acre. O documento aponta a ausência de cronograma, de transparência e de ações efetivas para a execução da obra, citada tanto durante o governo de Tião Viana quanto na atual gestão de Gladson Cameli.

O tom do manifesto se intensificou após o Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) divulgar a maquete da sexta ponte sobre o Rio Acre, em Rio Branco. Para o movimento, o anúncio expôs a disparidade na destinação de investimentos em infraestrutura, concentrados na capital, enquanto o interior segue sem respostas para demandas consideradas históricas.

Dependência de balsas e riscos recorrentes
Sem a ponte, a travessia do Rio Juruá continua sendo realizada exclusivamente por balsas, frequentemente alvo de reclamações por falhas mecânicas, interrupções causadas por cheias e longas filas, horários de funcionamento. Registros de veículos e até ambulâncias atolados, impossibilitadas de passar nas margens e até caindo na água circulam com frequência, sem que medidas estruturais tenham sido anunciadas.

Segundo representantes do movimento, a situação compromete o deslocamento de moradores, o transporte de mercadorias e o acesso a serviços essenciais, além de gerar prejuízos econômicos constantes para a região.

Escolha popular sem resposta oficial
O Movimento Pró-Ponte também relembra um episódio ocorrido durante uma agenda oficial do governo estadual em Rodrigues Alves, quando teria sido apresentada à população a opção entre investimentos em diversas obras ou a construção da ponte. De acordo com os moradores, a escolha foi clara: a ponte. Anos depois, segundo o grupo, não houve qualquer retorno público sobre o encaminhamento da decisão.

A ausência de respostas é apontada como mais um exemplo da distância entre anúncios políticos e execução prática.
Isolamento com impacto regional
Considerada estratégica, a ponte é vista como essencial para integrar Rodrigues Alves a Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, fortalecer o escoamento da produção regional e dar funcionalidade à malha viária do Vale do Juruá, incluindo a ligação com a BR-364. A falta da obra, segundo lideranças locais, mantém a região isolada e limita o desenvolvimento econômico e social.
Reivindicação que atravessa governos
Em 2026, o Movimento Social Pró-Ponte completa 17 anos de mobilização. A reivindicação é uma das mais antigas do interior do Acre. Desde 2014, a ponte já figurava como promessa oficial, com previsão de recursos federais via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Embora entraves judiciais tenham sido citados no passado, o movimento afirma que essas questões foram superadas sem que a obra avançasse.

Recursos e impasse político
De acordo com o movimento, a bancada federal acreana assegurou recursos para o projeto executivo, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Ainda assim, a execução da obra segue indefinida. Para as lideranças do Pró-Ponte, o impasse não é técnico, mas político.
Ao final da nota, o movimento afirma não questionar investimentos em outras regiões do estado, mas cobra critérios mais equilibrados e compromisso com o interior. Para os moradores do Vale do Juruá, após quase duas décadas de promessas, a ponte deixou de ser uma expectativa e passou a ser uma cobrança pública por respostas concretas.















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