Preço do petróleo explode e ultrapassa US$ 100 em meio a tensão no Oriente Médio
Alta de cerca de 40% em 2026 acende alerta para inflação e pressiona governos, incluindo o Brasil

Os preços do petróleo voltaram a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril nesta sexta-feira (13), impulsionados pelas tensões no Oriente Médio e pelo risco de interrupções no fornecimento global de energia. A escalada reacende preocupações com a inflação mundial e com possíveis impactos no preço dos combustíveis.
O barril do Brent crude oil, referência internacional, chegou a subir 0,8%, sendo negociado a US$ 100,30. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, era cotado a US$ 95,98 no início das negociações.
Por volta das 11h (horário de Brasília), os preços passaram a recuar levemente, mas ainda se mantinham próximos da marca simbólica de US$ 100. O Brent era negociado a US$ 100,12, enquanto o WTI recuava para US$ 94,49.
Alta acumulada chega a 40%
Desde o início do conflito na região do Oriente Médio, o petróleo já acumula alta de cerca de 40% em 2026, saindo de níveis próximos a US$ 60 no começo do ano para valores que não eram registrados desde meados de 2022.
O avanço ocorre mesmo após os Estados Unidos autorizarem temporariamente a compra de petróleo russo que estava retido em navios no mar. A medida foi anunciada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que concedeu uma licença de 30 dias, válida até 11 de abril, para a comercialização de carregamentos já embarcados.
Apesar desse alívio pontual, o mercado segue atento à evolução do conflito e ao risco de interrupção no fluxo de petróleo no Oriente Médio, especialmente diante de ameaças de bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte da commodity no mundo.
Impactos na economia global
A forte volatilidade no mercado tem preocupado investidores e analistas, que temem efeitos diretos sobre a inflação global e sobre as políticas de juros.
Com o aumento da incerteza, o mercado já reduziu as expectativas de cortes nas taxas pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos. A projeção atual é de cerca de 20 pontos-base de redução em 2026, bem abaixo dos 50 pontos-base estimados no mês passado.
Especialistas avaliam que o cenário ainda é de forte instabilidade, já que a continuidade do conflito pode pressionar ainda mais o preço do petróleo e afetar mercados financeiros ao redor do mundo.
Governo brasileiro tenta conter impactos
A alta internacional também já provocou reação do governo brasileiro. Na quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou medidas para evitar que o aumento da commodity provoque forte elevação no preço do diesel no país.
Entre as ações anunciadas está o zeramento das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, além da criação de uma subvenção para produtores e importadores do combustível. Segundo estimativas do governo, as medidas podem reduzir em cerca de R$ 0,64 por litro no preço final do diesel.
Para compensar a perda de arrecadação, o governo também anunciou um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo.
A Petrobras informou que aprovou a adesão ao pacote de medidas, mas ressaltou que a assinatura definitiva depende da publicação das regras pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).














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