Por que o Brasil pode se tornar uma potência em turismo náutico global? A “fórmula do sucesso” que já está dando certo
Navegar em uma lancha deixou de ser privilégio de poucos. O lazer náutico, antes restrito, vem ganhando espaço no mundo todo — e, no Brasil, o cenário é ainda mais promissor.
Agosto, 2025 — Com uma costa de mais de 7 mil quilômetros, rios navegáveis, clima favorável o ano todo e paisagens que figuram entre as mais bonitas do planeta, o Brasil tem vocação natural para ser protagonista no turismo náutico mundial. Mas, enquanto os Estados Unidos vendem mais de 230 mil embarcações de lazer por ano, o mercado brasileiro representa menos de 2% desse volume.
Ainda assim, especialistas e empresários do setor afirmam que estamos diante de um “gigante adormecido” que começa a despertar. A combinação de indústria nacional de alto nível, infraestrutura moderna e incentivos estratégicos — públicos e privados — está criando as bases para uma transformação capaz de movimentar bilhões e gerar centenas de milhares de empregos.

O potencial que já está na água
De acordo com a Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar), a indústria náutica brasileira já gera mais de 150 mil empregos e atinge padrões de excelência que competem no cenário internacional — com boa parte da produção voltada para exportação. E, por ser uma indústria artesanal, emprega proporcionalmente mais mão de obra que setores como o automotivo.
“Se o Brasil tivesse participação no PIB semelhante à dos EUA no setor, poderíamos gerar mais de 1 milhão de empregos”, estima Carlos Gayoso de Oliveira, diretor da Marina Itajaí e referência no segmento. “O mais difícil nós já temos: clima, natureza e vocação. O que falta é ampliar o estímulo e a infraestrutura.”
Itajaí: o case que mostra que é possível
No litoral norte de Santa Catarina, Itajaí se tornou um polo náutico graças a uma união estratégica entre poder público e iniciativa privada. Há mais de 15 anos, políticas fiscais reduziram impostos para atrair estaleiros e investimentos — o que resultou na instalação de grandes marcas, como a italiana Azimut Yachts, e no fortalecimento de fabricantes nacionais.
Além disso, a cidade investiu pesado em eventos e turismo, tornando-se sede de etapas internacionais como a The Ocean Race e criando o Marina Itajaí Boat Show, hoje um dos maiores do país. O impacto foi além do setor náutico, influenciando o mercado imobiliário: Itajaí figura entre as cinco cidades com o metro quadrado mais valorizado do Brasil, segundo o FipeZap.

A fórmula do sucesso
Segundo Gayoso, a estratégia que funcionou em Itajaí pode ser replicada nacionalmente:
Incentivos fiscais e regulatórios para atrair empresas e estimular investimentos.
Infraestrutura de excelência — marinas modernas, portos adaptados e serviços especializados.
Promoção e eventos que conectam o setor ao turismo e à economia local.
Parcerias público-privadas para gestão e expansão sustentável.
“O modelo de Itajaí prova que é possível criar um ciclo virtuoso, onde indústria, turismo e economia se beneficiam mutuamente”, afirma.
O mercado em números
EUA: mais de 230 mil embarcações de lazer vendidas por ano e frota registrada de 11,5 milhões de unidades.
Brasil: frota registrada cerca de 10 vezes menor.
Impacto econômico nos EUA: US$ 230 bilhões/ano (indústria náutica de lazer).
Atividades recreativas e pesca: US$ 36,8 bilhões/ano (valor agregado).
Experiência, qualidade de vida e oportunidades
A popularização do setor no Brasil também é impulsionada por novas modalidades de acesso — como consórcios, financiamento, cotas de barcos e aluguel — além do avanço tecnológico. “Ter um barco deixou de ser apenas um status. É sobre experiências contínuas, conectar famílias e amigos à natureza e à liberdade de explorar lugares únicos”, conclui Gayoso.
Sobre a Marina ItajaíInaugurada em 2016, a Marina Itajaí é uma das mais modernas da América Latina, com 405 vagas secas e molhadas, infraestrutura completa, heliponto, restaurantes, certificações internacionais (ISO 14.001/2015 e Bandeira Azul) e serviços para embarcações de até 75 toneladas.















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