Polêmica 'Lista suja' do trabalho escravo atinge novo recorde com 248 empregadores incluídos; nomes são divulgados
O governo federal atualizou a "lista suja" com os nomes de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, revelando um novo recorde de inclusões. A lista agora conta com 654 pessoas físicas (patrões) e jurídicas (empresas), após a adição de 248 novos nomes, a maior inclusão já registrada, de acordo com informações do Ministério do Trabalho.

A última atualização, em outubro do ano passado, já havia estabelecido um recorde com a inclusão de 204 empregadores. Agora, a "lista suja" cresce ainda mais, refletindo a preocupante persistência desse tipo de exploração no Brasil.
As atividades econômicas com o maior número de empregadores incluídos são diversas, mas se destacam:
Trabalho doméstico (43)
Cultivo de café (27)
Criação de bovinos (22)
Produção de carvão (16)
Construção civil (12)
A lista, que existe desde 2004, tem como objetivo dar transparência aos atos administrativos decorrentes das ações fiscais de combate ao trabalho análogo à escravidão, conforme o Ministério do Trabalho. No entanto, a sua divulgação enfrentou obstáculos nos governos anteriores, suspensa entre 2014 e 2016, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a sua constitucionalidade.
Veja a lista completa aqui: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/areas-de-atuacao/cadastro_de_empregadores.pdf
Os nomes dos empregadores são adicionados à lista somente após a conclusão do processo administrativo correspondente, com uma decisão final e sem possibilidade de recurso. Cada nome permanece na lista por dois anos, sendo então removido.
Entre os casos que chamam atenção na lista atualizada está o de André Luiz Mattos Maia Neumann, filho de Yonne Mattos Maia, acusados de manter uma empregada doméstica trabalhando em condições análogas à escravidão, sem salário, por 72 anos no Rio de Janeiro (RJ).
Outra inclusão notável é a da Fênix Serviços Administrativos e Apoio à Gestão de Saúde LTDA, de Bento Gonçalves (RS), empresa com o maior número de trabalhadores envolvidos em denúncias: 210.
O governo incentiva denúncias de trabalho escravo, que podem ser feitas de forma remota e sigilosa através do Sistema Ipê, lançado em maio de 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho.
Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma remota e sigilosa no Sistema Ipê.















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