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PF mira desembargador e deputado em investigação sobre suposta venda de decisões judiciais

8 de jun.
2 min de leitura

Operação apura esquema de corrupção e lavagem de dinheiro com possíveis ligações ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso

foto reprodução
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A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (8) a Operação Gemini para investigar um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro com possíveis ramificações no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Entre os alvos das medidas autorizadas pela Justiça estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil. Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.


De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam para a existência de uma estrutura voltada à negociação de decisões judiciais e à movimentação de recursos com o objetivo de ocultar a origem do dinheiro.


Os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, por crimes como corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.


A operação ocorre meses após o afastamento de Dirceu dos Santos por decisão do Conselho Nacional de Justiça. O magistrado já era alvo de outra investigação que apura suspeitas de nepotismo cruzado e possível recebimento de vantagens indevidas em troca de decisões judiciais.


Segundo levantamento realizado pelo CNJ, o desembargador movimentou cerca de R$ 14,6 milhões em patrimônio nos últimos cinco anos. Os investigadores avaliam que os valores seriam incompatíveis com os rendimentos oficialmente declarados.


O CNJ deverá analisar nesta terça-feira (9) a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar contra o magistrado e decidir se o afastamento cautelar será mantido.


A nova ofensiva da Polícia Federal também ocorre poucos dias após avanços de outra investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal sobre suspeitas de comercialização de decisões judiciais em tribunais superiores. Na ocasião, a Procuradoria-Geral da República apontou indícios de vazamento de informações sigilosas e acesso antecipado a minutas de decisões.


Em nota, a Polícia Federal informou que a Operação Gemini tem como objetivo aprofundar as investigações sobre a possível negociação de decisões judiciais e rastrear a movimentação financeira relacionada aos fatos apurados.


Até a publicação desta reportagem, as defesas dos investigados não haviam se manifestado sobre o caso.

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