Papo de Rocha: Políticos ou eleitores: afinal, quem é o verdadeiro culpado?
Dez em cada dez eleitores adoram criticar os políticos brasileiros. A reclamação é quase uníssona: “na política só tem bandido”. O detalhe incômodo é que esses “bandidos” não chegaram lá sozinhos; foram eleitos pelo mesmo povo que hoje finge indignação. Ou seja: o dedo que aponta é o mesmo que aperta o botão da urna.

A polarização só deixou a hipocrisia mais gritante. Direita e esquerda se revezam no papel de cúmplices: defendem os seus, arrumam desculpas esfarrapadas e justificam o injustificável. No fim, todo mundo se acha esperto, mas age como torcedor fanático. E pode apostar: ao ler este texto, muitos vão balançar a cabeça negando, dizendo “não é assim com os políticos do meu lado”. Outros ainda vão soltar a desculpa clássica: “pelo menos o meu é melhor”. Blindagem automática para ladrão de estimação.
A dura verdade é que a maior parcela da responsabilidade é do eleitor brasileiro. Votamos como quem corre ao banheiro: por impulso, sem pensar. Transformamos a política em Fla-Flu, em torcida organizada. E o resultado está aí: corruptos de todos os calibres, do Acre a Brasília, continuam bem avaliados e com chances reais de vitória nas próximas eleições.

Casos não faltam. O mais recente: o roubo dos aposentados do INSS. O brasileiro já esqueceu, mas não é novidade. Paulo Bernardo, ex-marido de Gleisi Hoffmann, já havia sido denunciado por desviar dinheiro do mesmo INSS quando era ministro da Previdência no governo Lula. Hoje, os indícios apontam para o mesmo grupo nesse velho-novo saque. E, pasmem, Gleisi segue firme na política, com mandato, representando justamente uma parte do povo que foi roubado.
A história mostra que não é de hoje que escolhemos mal. Tivemos duas chances de eleger Rui Barbosa presidente; preferimos Hermes da Fonseca e Epitácio Pessoa. Ridicularizamos políticos como Enéas Carneiro. Agora, a conta chegou. Vamos reclamar de quem? Dos políticos? Ou de nós mesmos, os eleitores que insistem em dar cheque em branco a quem já provou que não presta?
Ao fim e ao cabo, o dedo que aponta é o mesmo que vota.















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